Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 13/10/2018
Segundo Claude Lévi Strauss, para compreender uma sociedade, é mister analisar sua formação histórica. Com base na linha de pensamento do antropólogo, pode-se entender a sociedade brasileira e, consequentemente, a dificuldade em democratizar o acesso à cultura, pois essa cresceu formou-se com base na exclusão de pessoas, pertencentes à esfera minoritária da política, no âmbito cultural. Como consequência disso, o Brasil têm, ainda, desafios para realizar tal democratização: a concentração de espetáculos culturais em centros urbanos e o sucateamento de escolas públicas.
Em primeira análise, deve-se pontuar que a existência de muitos espetáculos culturais em centros urbanos, em detrimento de periferias - que não os possuem- dificulta a democratização do acesso à cultura. O parnasianismo, corrente literária que vigorou no Brasil no século XIX, propunha a acessibilidade à cultura circunscrita somente na esfera aristocrática. Com efeito, esse pensamento explica, com base na teoria de Strauss, a concentração de centros culturais- como museus e teatros- em locais afastados de periferias. Prova disso, é a existência de teatros no centro de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, e a ausência desses em favelas. Essa supressão faz com que a cultura seja, por conta das grandes distâncias necessárias para assistir ou participar dos espetáculos, inacessível a muitas pessoas que vivem nesses locais; fixando-a, assim, como elemento não democratizado.
Também convém ressaltar que o sucateamento de escolas pública dificulta a democratização da cultura no Brasil. Ao analisar as mídias sociais- como jornais- é perceptível que muitos desses colégios encontram-se em situações atrozes de sucateamento, que é fomentada pelos cortes de verbas governamentais. Essa supressão aflige, sobretudo, a educação artística, ensinamento presente na grade curricular estudantil. Tal ausência de verba nessa matéria desemboca na inexistência de passeios escolas a museus e teatros. E, como consequência disso, os alunos desses colégios acabam não sendo influenciados a apreciar as artes. Isso diminui, exponencialmente, a exequibilidade desses estudantes tornarem-se, posteriormente, consumidores fixos desse mercado, o que dificulta a democratização do acesso à cultura.
Portanto, faz-se necessário a atuação estatal para combater os desafios para a democratização da cultura. Para isso, o Ministério da Cultura deve, com parceria de ONGs que apoiam esta causa, criar ,nas periferias, teatros e museus, que possibilitem o acesso de pessoas que vivem nesses locais à cultura. Ademais, o Legislativo deve criar leis que garantam verba fixa para a educação artística nas escolas publicas. Esses colégios devem, com o esse dinheiro, ampliar o leque cultural de seus alunos, realizando passeios em centros culturais que as cidades possuem, como museus.