Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 19/10/2018
O filme ‘Tapete Vermelho’ retrata a trajetória de um caipira, que luta para levar seu filho para assistir a uma obra de Mazzaropi - ator e cineasta brasileiro. Essa narrativa se faz coerente devido à dificuldade do Brasil em estabelecer uma relação direta do seu povo com a sua cultura, um entrave que apresenta questões econômicas e histórico-sociais.
A princípio, é possível perceber que essa problemática engloba questões financeiras. Tangente a isso, sabe-se que grande parte das experiências culturais demandam um alto custo, quando relativizado às médias de renda da população brasileira. Por um lado, iniciativas como o Vale Cultura, auxílio do governo destinado ao acesso à cultura para funcionários de carteira assinada, auxiliam nesse quesito. No entanto, ainda há muito o que ser feito para mitigar essa barreira econômica e, como resultado, mais da metade da população brasileira não frequenta museus, cinemas ou espaços culturais, segundo o IPEA.
Outrossim, é necessário considerar o distanciamento físico da cultura em relação aos indivíduos. A saber, 70% dos museus existentes no país estão concentrados nas regiões sul e sudeste, segundo o IPHAN. Fator que gera um desequilíbrio pois moradores de regiões mais afastadas dos grandes centros encontram muita dificuldade em acompanhar espetáculos ou até mesmo apreciar uma obra de artistas importantes no cenário nacional. De certo, existem ações que vão na contramão dessa realidade, como o Cine Sesi, que realiza sessões de cinema gratuito nas cidades do interior. Porém, nota-se que o governo, em todas as esferas, não prioriza esse tema e o desequilíbrio é mantido.
Portanto, torna-se evidente a necessidade de medidas interventivas para garantir o acesso à cultura para todos. Para diminuir a barreira financeira, o Ministério do Trabalho deve, em parceria com empregadores do setor privado, ampliar os benefícios de gratuidade em vivências artísticas e culturais, como museus, cinemas e espetáculos de dança e oferecer, para os realizadores desses eventos, incentivos fiscais para aqueles que derem descontos para pessoas de baixa renda. Ademais, o Ministério das Comunicações, a fim de amenizar o problema do distanciamento físico das pessoas e a arte, deve divulgar em campanhas de TV, rádio e internet, formas alternativas de vivenciar experiências artísticas, como o canal de vídeos ‘ViviEuVi’ que, através da internet, leva conteúdo de arte para as pessoas. Para que dessa forma, a cultura, que é a forma mais eficaz de engrandecimento do cidadão, esteja disponível para todos.