Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 17/10/2018
Anualmente, na cidade de Joinville, ocorre um dos maiores festivais de dança do mundo. O grandioso evento não só representa uma oportunidade de integração entre as variáveis regionais brasileiras, como enaltece a arte, o movimento, a expressão e a singularidade dos bailarinos. Indubitavelmente, o exemplo sulista deveria ser seguido pelo país em sua totalidade, principalmente se levada em conta a previsão constitucional de direito cultural a todos os cidadãos. Dito isso, é possível entender a desvalorização da cultura no país como desrespeito para com a população e construção nacional.
Nessa vereda, vale ressaltar a omissão e a despreocupação escolar quanto à educação artística. Essa problemática está intrinsecamente relacionada ao modelo educacional adotado no Brasil, tradicional e inspirado no padrão fabril da Revolução Francesa. Na época em que foi criado, o método tinha como único objetivo o ensino unilateral e massificador à sociedade, de forma a garantir os interesses da crescente classe burguesa. Sob essa óptica, se analisado o atual sistema pedagógico, percebe-se a ainda restrita valorização da individualidade dos alunos, tanto em relação ao método de ensino quanto ao talento de cada um. Evidentemente, a incumbência das escolas não é mais formar operários disciplinados, portanto, o método por elas utilizado deveria ser mais abrangente, voltado ao desenvolvimento psíquico, social, artístico e pessoal.
Além do que foi retratado, é inegável a inadimplência governamental quanto à garantia ao acesso à cultura. Sobre isso, foi defendido por Rousseau que a existência do Estado se faz necessária para defesa dos direitos de todos. Então, a demonstração brasileira de descaso para com o referido setor não só reflete a inconstitucionalidade, como também o descumprimento do chamado contrato social. Infelizmente, diversas cidades do país não contam com museus, cinemas, teatros ou bibliotecas, situação de descaso com a rica história e costumes nacionais, tão particulares e variados.
Com base nas ideias assinaladas, resta afirmar que a frágil relação entre o Brasil e sua cultura deve ser fortalecida, com a democratização do acesso e mesmo da atuação popular. Para isso, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, deve efetivar uma transformação no modelo educacional vigente, de forma que os alunos sejam estimulados a encontrar seu talento e a conhecer a diversidade de seu próprio país. Essa medida deve se efetivar com o incentivo governamental à criação de uma emenda constitucional voltada à reformulação do método de ensino, que deve ser estudada por diversos especialistas e então elaborada. Além disso, faz-se necessária a ampliação da disponibilização de verbas relacionadas ao âmbito artístico pelos deputados estaduais e federais, com devida fiscalização para a manutenção do direito que é de todos os indivíduos.