Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 17/10/2018

Espetáculos no Coliseu de Roma. Construções barrocas para ensinar o povo. Prática do Mecenato no Renascimento. No decorrer da estruturação das sociedades ocidentais, essas ferramentas foram amplamente exploradas em suas devidas épocas, demostrando a importância do fomento à cultura para a formação de um povo. Apesar de possuir uma grande diversidade nesse eixo de expressão humana e de reconhecer tal relevância, o Brasil ainda não direciona a devida atenção para a produção cultural, criando obstáculos à democratização desse bem.

É fundamental analisar, em primeiro lugar, que a negligência brasileira quanto o acesso à cultura se inicia desde os primórdios da educação formal do indivíduo. Direcionando uma crítica a esse modelo de ensino antiquado do Ocidente, a banda britânica Pink Floyd demonstra em seu clipe da música “Another Brick in The Wall” a formatação de um sistema educativo repressor do interesse do aluno pela cultura e pela arte. Nesse sentido, seguindo tal modelo de disciplina até os dias atuais, o Brasil retira do currículo escolar a chance do estudante conhecer o mundo através dessa ferramenta, uma vez que limita este a um trabalho mecânico de teoria e exercícios.

Cabe apontar, além disso, o descaso governamental quanto aos centros culturais. Tal fato tornou-se claro com a destruição do museu nacional do Rio de Janeiro no segundo semestre de 2018. Com instalações precárias devido aos cortes de investimentos e a queda nos repasses das verbas, o local, o qual recebia inúmeras pessoas todos os dias, foi destruído pelas chamas, apagando uma diversidade de memórias que se encontravam no acervo. Diante desse lamentável desastre, nota-se a grande irresponsabilidade com os mínimos refúgios acessíveis de cultura restantes à população.

Fica claro, portanto, que barreiras são criadas e afastam da realidade um acesso democrático à cultura. Para alterar esse quadro, o Ministério da Educação deve modificar os currículos escolares, incluindo neles grades destinadas à arte, a fim de democratizar e estimular os indivíduos ao contato com os bens culturais. Ademais, o Congresso nacional pode criar leis de fomento à cultura, como a Lei Rouanet, cobrando das autoridades o cuidado com os centros e a criação de novas áreas para tal fim, com o objetivo de permitir maior dispersão da diversidade de manifestações artísticas à população.