Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 24/10/2018

Conforme o pensamento do filósofo francês André Malraux, “a cultura, sob todas as formas de amor e de pensamento, capacitou o ser humano a ser menos escravizado”. A cultura, dessa forma, é primordial para a construção da identidade humana. Diante disso, é importante analisar e combater os desafios para democratizar o acesso à cultura na sociedade brasileira, seja pela falta de empenho das pessoas, seja pela ausência de incentivo por parte do Estado.

Antes de tudo, é notável que a falta de vontade de muitos indivíduos em se preocupar de ter tal contato cultural favorece a permanência dessa problemática, uma vez que 70% dos brasileiros nunca foram a um espetáculo, além disso, 30% da população nunca leram um livro, segundo pesquisas do Ministério da Cultura, realizado em 2017. Outrossim, para ter tal acesso mencionado é preciso, na maioria dos casos, boas condições financeiras, dado que o preço de livros e espetáculos de entretenimento são considerados altos quando comparados com a renda dos cidadãos de classe baixa. Como resultado, cria-se, cada vez mais, um abismo entre ricos e pobres, de modo que a desigualdade social torna-se cada vez maior.

Outro aspecto a destacar é a carência de investimento, o qual visa a solução dessas adversidades. Nesse sentido, o Estado é o principal responsável pela universalização da cultura. Em outras palavras, democratizar o acesso à cultura é permitir que todos, independentemente da classe social, possam alcançar todos os níveis de entretenimento e arte, pois assim como um dia pensou Confúcio – filósofo chinês – “a cultura está acima de qualquer condição social”. Permanece claro, então, que no intuito de impedir a permanência da marginalização dos mais pobres na sociedade, faz-se necessário uma reforma em prol da mudança de toda situação supracitada.

O atual desafio para democratizar o acesso à cultura, portanto, deve ser resolvido imediatamente. Dito isso, em parceria com as prefeituras das cidades, o Estado, por meio das verbas recolhidas dos impostos, deve criar mais centros culturais e de entretenimento, sobretudo nas periferias, onde a possibilidade de obter isso é precário, escasso ou caro, a fim de permitir que as camadas mais pobres ascendam culturalmente. Por seu turno, na finalidade de estimular as pessoas a se interessarem por arte no contexto geral, o Ministério da Cultura, junto com o Governo Federal, por intermédio de campanhas ilustrativas dentro das estações de trem e metrô, pode mostrar o quão importante é alcançar esse tipo de lazer. Quem sabe, assim, conseguir-se-á o ser humano, de fato, ser menos escravizado consoante ao pensamento do filósofo francês.