Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 18/10/2018

Tal qual define os Direitos Humanos, esse que possui origem na Revolução Francesa com influências de ideais de igualdade, todo homem tem direito à cultura. No entanto, no Brasil, a teoria está distante da prática, visto que a desigualdade atinge até o aspecto cultural tanto no acesso a ele quanto na sua valorização. Assim, medidas devem ser tomadas frente a esse problema para que o brasileiro não viva uma utopia.

Nesse contexto, vale ressaltar que, apesar do Brasil ser reconhecido por sua multiculturalidade, nele há um grande processo de polarização cultural, valorizando algumas culturas e desvalorizando outras. Prova disso é a visão de muitos sobre os costumes indígenas, sendo esses vistos como folclóricos e arcaicos, ou sobre o funk, estereotipado como música de má qualidade. Assim, infelizmente, percebe-se uma população caracterizada por sua mistura de identidades, mas que se vê dividida por preconceitos, prejudicando, por isso, a democratização desse direito humano.

Além disso, é sabido que as escolas são o principal agente no processo de democratização da cultura por ser o primeiro canal de acesso do cidadão à essa. Entretanto, em mais um aspecto, o Brasil vive uma utopia, visto que a maior parcela da população ultiliza da educação pública, a qual é de péssima qualidade, sendo que ,em tese, o Estado promete uma digna. Portanto, baseando na teoria de John Locke de que o homem, quando nasce, é uma tábua rasa sem conteúdo e ,com a vivência cultural, adquiri esse, em um país onde são poucos os que podem pagar um colégio privado, onde a cultura é apresentada aos alunos , muitos brasileiros crescem e morrem ainda sendo um papel em branco.

Diante do exposto, a fim de garantir uma cultura democrática no Brasil, cabe ao Governo federal disponibilizar verbas aos Estaduais e Municipais para investirem na educação básica dos colégios públicos com infraestrutura e profissionais de qualidade para que esses tenham maior atração dos alunos e que todos possam ter acesso a um ensino de qualidade. Aliado a isso, cabe ao mesmo, representado pelo MEC, intensificar a política de reconhecimento e respeito à cultura aos alunos como previsto pela grade curricular com projetos de inserção como musicais, tal qual ocorre na periferia carioca. Com essa atuação, o brasileiro deixará de viver uma utopia e, com o passar do tempo, terá cada vez mais conteúdo para passar adiante assim como prevê Locke, contribuindo para a multiculturalidade brasileira.