Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 18/10/2018
Segundo o escritor Franz Kafka a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesta perspectiva, a integração do valor da cultura e as demais políticas sociais são a base para o desenvolvimento e a formação de uma sociedade. No entanto, em outros casos, há empecilhos que dificultam o processo da democratização do acesso a essa cultura no Brasil, como acontece com a baixa exposição dos conteúdos e eventos pelas mídias, a má infraestrutura do país e a negligência em relação a sua valorização.
Primeiramente, a falta de informação corrobora para o desconhecimento sobre a importância da valorização e da obtenção da formação e informação de uma sociedade. As campanhas publicitárias não são frequentes e, sem uma maior divulgação à população, o número de pessoas que são acolhidas e que tem o acesso a essa formação faz-se menor do que a real demanda. De acordo com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) apenas 13% dos brasileiros vão ao cinema alguma vez por ano e mais de 92% nunca foram a um museu ou exposição de arte. Assim, a exposição deste problema pelos meios de comunicação e o incentivo são escassos e contribuem para o déficit na educação e na construção do indivíduo.
Além disso, a integração do valor da cultura e as demais políticas sociais ainda são frágeis e pouco evidentes na vida da população. Segundo dados divulgados pelo jornal O GLOBO, mais de 90% dos municípios brasileiros não possuem salas de cinema, teatro, museus ou espaços culturais multiuso e 73% dos livros estão concentrados nas mãos de apenas 16% da população. Neste sentido, o Brasil compromete o acesso a cultura quando não há infraestrutura necessária para proporcionar a obtenção do entretenimento, livros caros e uma sociedade que não tem o hábito social de valorizar patrimônios e conhecimentos de desenvolvimento e crescimento pessoal. Com isso, a democratização fica à margem de exercer a solidariedade e compor a vida e a formação de muitas pessoas.
Deve-se, então, superar as barreiras que interferem na democratização da cultura no Brasil. Portanto, a mídia tem papel imprescindível na exposição de dados informativos sobre eventos, shows e de campanhas de doação de livros, seja na televisão e internet, seja em áreas físicas, como outdoors. Ademais, o governo em parceria com o mercado cultural e a UNESCO, deveria aumentar investimentos de eventos culturais, patrocinadores e estruturação política de uma sociedade para reduzir as desigualdades regionais e ampliar o acesso dos mais pobres. A focalização das políticas culturais nos níveis estaduais e municipais pode favorecer a superação desse quadro e reforçar a diversidade cultural como fator do desenvolvimento de um país.