Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 09/06/2019
Em 1985, sob o governo de José Sarney, foi criado o Ministério da Cultura, tendo por finalidade financiar, promover e garantir a população brasileira o acesso a produções culturais. Contudo, as funções do Ministério não obtiveram total êxito, visto que boa parte dos brasileiros não possuem contato frequente com qualquer tipo de evento cultural. Isso porque, ainda hoje, inúmeros obstáculos, sobretudo físicos e econômicos, são impedimentos a democratização da cultura no país.
É importante pontuar, de início, que, mesmo após três décadas da criação do Ministério da Cultura, no Brasil ainda vigora um ‘‘apartheid cultural’’. Em partes, isso se deve ao fato de que, em áreas periféricas, pouco se investe em espaços adequados a receber produções culturais, como museus e teatros. Em decorrência disso, os principais eventos de cultura concentram-se nas áreas centrais, dificultando o acesso da população residente em zonas distantes a tais eventos que, em tese, deveriam ser acessíveis e contemplados por toda a sociedade brasileira.
Outrossim, o alto custo dos eventos culturais no país são outro entrave a democratização da cultura. Isso ocorre pois, em consonância com a teoria da Indústria Cultural, de Theodor Adorno, a produção cultural tem sido mercantilizada, dando-se ênfase apenas a produções que sejam lucrativas, o que eleva o custo necessário para se beneficiar de tais produções, como cinemas, espetáculos e livros, sendo seu acesso restrito àqueles que possuem poder aquisitivo para tal, culminando, mais uma vez, na exclusão da população de baixa renda a contemplação das produções culturais.
Frente ao exposto, fica evidente a necessidade de se democratizar o acesso a cultura no país. Para isso, os governos municipais devem destinar verbas a criação, nas áreas periféricas, de espaços adequados a receber eventos culturais. Além disso, para que seja efetivo o acesso da população de baixa renda a tais eventos, deve ainda distribuir vale cultura a estudantes de escolas públicas, podendo também estabelecer parcerias com empresas privadas, oferecendo subsídios àquelas que concederem vale cultura a seus funcionários, garantindo, assim, que o acesso a cultura seja um direito de todos os brasileiros.