Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 22/10/2018
A obra “A menina que roubava livros”, escrita por Markus Zusak, retrata que no contexto da Segunda Guerra Mundial, no qual se passa o livro, o contato com à cultura era extremamente restrito, permitido pelo Estado Alemão apenas à raça ariana. O enredo da narrativa serve de ilustração para o que acontece na pós-modernidade, haja vista o limitado acesso à cultura em plano nacional, fomentado, principalmente, por o histórico elitista da cultura e a fatores econômicos que impossibilitam o acesso da sociedade em geral a essa.
Em primeiro plano, é necessário enfatizar que a cultura foi consolidada na história com uma realidade acessível apenas para a alta sociedade. A semana da arte, por exemplo, foi uma exposição realizada por membros da elite como: Mário de Andrade e Anita Malfatti, para ser exposta para aristocracia paulistana no Teatro Municipal. Destarte, esse fato reforça uma situação arcaica, na qual apenas membros de classes sociais abastadas devidamente incluídos culturalmente. Como exemplificação na literatura desse quadro, a obra realista “ O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, apresenta o personagem de João Romão que apesar de possuir poderio econômico e título de barão não consegue se incluir culturalmente na elite devido à suas origens humildes. Logo, infere-se que um dos desafios da democratização do acesso à cultura é o histórico elitismo cultural.
Concomitantemente à essa esfera histórica, outro fator que impossibilita coletivização do acesso à cultura é a barreira econômica. Assim, em grandes cidades espaços como: teatros, museus e cinemas, por exemplo, ficam concentrados em regiões centrais. Nesse contexto, torna-se inacessível o acesso à cultura para populações periféricas, tendo em vista os custos de transporte, alimentação e até de entrada nesses lugares. Dessa forma, para uma família frequentar esses lugares ela precisará de uma certa quantia para suprir tais necessidades, e em regiões em que a média de renda é abaixo do salário mínimo, ir a lugares como esses é um luxo, e reafirmando, dessa maneira, o histórico elitista da cultura. Como ilustração desse triste quadro, a canção “Final de Semana no Parque”, do Racionais Mc’s, faz uma crítica direta à disparidade do acesso à cultura na “quebrada” e na zona sul.
Torna-se evidente, portanto, que entraves econômicos e aspectos históricos são desafios para a democratização do acesso à cultura. Em um contexto nacional, urge, ao Poder Legislativo a criação e aprovação de um projeto de lei que crie centros de cultura – com espaço para exposições, teatros e cinemas- em zonas periféricas. Tais regiões devem ser mapiadas pelas Prefeituras Municipais em parceira com as Secretarias da Cultura, sob o financiamento do Governo Federal, visando não apenas a democratizar do acesso à cultura com também a desconstrução da realidade elitista da cultura.