Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 24/10/2018
Na Grécia Antiga surgiram tanto o conceito de cidadania como a valorização dos padrões culturais. Em suas Academias, a arte era valorizada, compondo o entretenimento para as elites locais. Da mesma forma, a cultura brasileira também está restrita às classes sociais mais altas, comprovando, assim, a necessidade de democratizar o acesso a cultura por toda a população do país.
Primeiramente, é preciso analisar o processo de desvalorização da produção cultural nacional. Suas origens constam desde o processo de colonização brasileira, com a tentativa de etnocídio das culturas indígenas e africanas pelos portugueses. Desde então, os costumes estrangeiros passaram a ser mais valorizados, em detrimento da desvalorização das produções nacionais, como o autor Cruz e Souza, do movimento Simbolista, que não era reconhecido nacionalmente, mas depois de sua morte foi valorizado na Europa. Por isso, a necessidade de informar e valorizar as artes do Brasil é também questão de nacionalismo.
Outrossim, apenas as classes sociais mais favorecidas têm acesso a cultura, dando a falsa impressão de que também são os únicos produtores da mesma. Isso porque teatro, cinema e museus estão restritos aos bairros de elite dos grandes centros, o que dificulta a difusão desse conhecimento para todo o povo brasileiro. Por conseguinte, a arte periférica, como o “hip hop”, “rap” e até mesmo o “funk” acabam rebaixadas, não sendo consideradas, por alguns, manifestações artísticas. Assim, a população marginalizada, além de não ter acesso a arte da elite, perde a sua.
Portanto, a necessidade de garantir a democratização no acesso a arte é o cumprimento da Constituição de 1988, que garante aos cidadãos os seus direitos sociais. Cabe ao Governo Federal, então, a popularização das artes brasileiras, por meio de workshops itinerantes e incentivo financeiro a novas produções, além da construção de novos teatros e cinemas em regiões periféricas. Deste modo, a população mais pobre teria o mesmo acesso a arte que a mais rica, o que reduz as disparidades sociais do país.