Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 25/10/2018
Na Idade Média, somente a classe clerical possuía acesso aos livros de estudo, enquanto a maioria da sociedade feudal era submissa aos dogmas da Igreja, sem poder criticar a Instituição. A restrição do conhecimento a um determinado grupo, portanto, tem como consequência a formação de uma sociedade alienada e desigual. Tal cenário, é permeado pelas relações de poder que existem entre os indivíduos e pela violência simbólica.
Sob esse viés, o filósofo francês Michel Foucault apresentou o conceito de biopoder, que é quando um indivíduo exerce uma relação de poder sob o outro em detrimento de uma forma de conhecimento, a qual é usada como instrumento e justificação para formas de segregação e o monitoramento de corpos. Esse monitoramento é efeito da ausência de autonomia de pensamento, a exemplo do que ocorria na Idade Média: por serem privados de estudar, aqueles que estavam abaixo do clero eram submissos a ele, sem poderem contestá-lo. Em síntese, o biopoder impede que a cidadania seja exercida plenamente, pois ela é dependente do pensamento crítico.
Além de estarem fadados a alienação, a educação, que deveria ser promotora de equidade, hierarquiza os alunos de modo a realizar sobre eles a violência simbólica. Isto, pois, segundo o conceito de Capital Cultural, pelo filósofo Pierre Bordieu, os alunos que chegam na escola com um arcabouço cultural por terem obtido acesso a museus, bibliotecas, cinema e teatro, são mais valorizados pela instituição e privilegiados quando comparados aos outros estudantes. Sendo assim, a desigualdade tem seu início no ambiente escolar, e é a partir dele que medidas devem ser aplicadas para impedi-la.
Destarte, é necessário que o Ministério da Educação atue em parceria com o Ministério da Cultura com o intuito de tornar o acesso à cultura mais democrático. Para isso, ambos devem formar parcerias com as prefeituras de modo a definir saídas de campo obrigatórias de acordo com a especificidade de cada cidade a fim de que os alunos da rede pública, que são os que mais sofrem com o Capital Cultural, possam conhecer a cultura local e nacional juntamente com o que aprendem na escola. Ademais, as Secretarias de Educação podem receber um incentivo anual para a realização de Olimpíadas de Literatura para que os alunos sejam incentivados à leitura, de modo a serem premiados pela participação. Logo, os estudantes poderão ter pensamento autônomo e se tornarem futuros cidadãos críticos, comprovando, assim, a máxima de René Descartes: “a dúvida é a origem da sabedoria.”