Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 27/10/2018

Durkheim define a sociedade como um organismo biológico, cuja parte em disfunção ocasiona o colapso do sistema inteiro. Tal afirmação reflete aos desafios da democratização do acesso a cultura, reforçados pelo capitalismo. Junto a isso, observa-se pouco investimento nessa área, desestimulando as pessoas a conhecerem sua própria história. Faz-se necessário analisar, portanto, a mobilização do Estado e de seus Ministérios acerca dessa questão.

Desde a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, o mundo tem priorizado, demasiadamente, lucros e mercado em detrimento de valores humanos essenciais. Sob esse viés, a arte se tornou um produto de consumo, no qual o acesso é restrito aos que possuem poder aquisitivo. E, intensificando essa exclusão social, há uma segregação socioespacial dos meios culturais, devido ao fato de os teatros, cinemas, museus e bibliotecas serem distantes das periferias e raramente gratuitos, dificultando o alcance dos mais pobres a esse tipo de capital simbóbico.

Outrossim, a educação é fulcral para possuir um bom repertório cultural, pois é através dela que as pessoas aprendem sobre suas origens e tradições e, como proferido por Paulo Freire, ‘‘se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda". Contudo, a qualidade do ensino no Brasil é proporcional a renda do aluno, fomentando as desigualdades sociais e, consequentemente, ferindo a Constituição Federal, que promete erradicar essas injustiças. Além disso, há poucos investimentos ligados à cultura, não despertando o interesse nos estudantes em buscá-la.

Em última análise, consoante Confúcio, não corrigir as falhas é o mesmo que cometer novos erros. Dessarte, é imprescindível que o Estado crie meios para facilitar o acesso cultural da população marginalizada, mediante leis que tornem obrigatória a implementação de centros culturais gratuitos nos municípios, localizados próximos às periferias, para que a arte volte a ser valorizada como capital simbólico ao invés de financeiro. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com o da Cultura, deve estimular o aprendizado cultural dos jovens por meio de projetos literários e artísticos nas escolas, principalmente as públicas, a fim de formar indivíduos críticos e sábios. Indubitavelmente, se a sociedade se unir e tais providências forem tomadas, essa problemática será, ao menos, amenizada.