Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 01/11/2018

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um indivíduo se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se discute sobre as desingualdades sociais relacionadas ao acesso a produção cultural no Brasil, hordiernamente, verifica se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, visto que a formação cultural brasileira se desenvolveu sem valorizar hábitos de leitura em consonância com os altos custos dos eventos culturais, o que torna a problemática intrisecamente ligada à realidade do país.

É indubitável que, a formação cultural brasileira se desenvolveu sem valorizar hábitos como a leitura ou ir ao teatro, isso se dá pelo fato de não haver estimulo por parte dos pais ou até mesmo da escola. Segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (IBOPE), em 2016, constatou que 44% da população não lê, 74% não comprou nenhum livro durante o período de três meses e 30% nunca comprou nenhum livro na vida. Esses dados demonstram claramente a relação do brasileiro com a literatura. Se com os livros a relação não é boa, com teatro a situação é ainda pior, em outra pesquisa também realizada pelo IBOPE, apenas 11% dos entrevistados que vivem nos centros urbanos disseram que frequentam o teatro. É alarmante que tal situação aconteça de forma tão constante em nossa sociedade.

Além disso, os altos custos dos eventos culturais impossibilitam muitos brasileiros de frequentarem peças teatrais, concertos músicais, cinemas, museus e festivais de ópera, justamente porque os preços são altissímos. Vale ressaltar que a maioria dos teatros, casas de show e cinemas estão localizados nas grandes metrópoles, dificultando ainda mais o acesso de pessoas que vivem no interior.

Destarte, medidas são necessárias para combater a desingualdade social no acesso a produção cultural no Brasil. Como primeiro passo, o Governo juntamente com Ministério da Educação, devem investir na elaboração de projetos voltados para o incentivo da cultura, a fim de motivar a população a valorizar o hábito de ler. Ademais, o Governo Federal, deve criar leis que facilitem a criação de teatros e cinemas nas cidades que ainda não contam com esse tipo de recurso, a fim de levar mais cultura e lazer a população menos favorecida e que não tem acesso frequente aos centros urbanos. Só assim esse problema seria gradativamente minimizado no país. E como disse o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele.