Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 02/11/2018

A ditadura militar, que durou de 1964 até 1985, foi um período de muita censura no país, uma vez que todas as manifestações artísticas de reivindicações eram violentamente combatidas. Hodiernamente, no Brasil, todos os direitos do cidadão são assegurados pela Constituição Federal. No entanto, o capitalismo e a inércia do Estado impedem a democratização do acesso à cultura, tornando necessárias medidas para reverter esse quadro.

Deve-se pontuar, primordialmente, que, como intitulado por Karl Marx, o sistema capitalista é a base da sociedade. Sob essa perspectiva, os sociólogos Adorno e Horkheimer criaram o termo ‘‘indústria cultural’’, em que as indústrias e cinemas veiculam informações e entretenimento com o fito de adquirir um fonte de lucro. Diante disso, o alto custo do ingressos para entrar em cinemas e teatros, favorece a participação somente de pessoas que tenham dinheiro, ou seja, os grupos com renda menor têm dificuldades em ter acesso à cultura. Dessa forma, torna-se fundamental medidas para democratização no país.

Outrossim, é válido destacar que a omissão do poder público é um imbróglio a ser solucionado. Nesse sentido, grande parte dos museus e bibliotecas estão localizados nos centros urbanos, o que causa a exclusão da população que reside em bairros periféricos e zona rural. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 70% da população não vai ao cinema. Destarte, esses fatores atuam em um fluxo contínuo e favorecem na formação de desigualdades sociais com dimensões cada vez maiores.

Urge, portanto, a implementação de medidas para democratizar o acesso à cultura no país. É imperioso que o governo federal, por meio de verbas, ofereça, em finais de semana e feriados, a entrada gratuita de pessoas com baixa renda familiar, nos cinemas e teatros, com o intuito de possibilitar que esses indivíduos usufruam dos meios de entretenimento. Ademais, cabe ao poder público do Estado, destinar dinheiro à obras de construções de museus e bibliotecas nas áreas que ainda não têm esses projetos, com o fito de tornar mais acessível o acesso a esses locais e reduzir as desigualdades que existem. Logo, poder-se-á afirmar que a pátria educadora oferece mecanismos exitosos para democratizar o acesso à cultura do Brasil.