Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 27/03/2019

A cultura é a lente a qual a sociedade enxerga, afirmou a antropóloga Ruth Benedict. Sob esse viés, o conhecimento cultural é fundamental para o desenvolvimento e a integração da comunidade civil brasileira. No entanto,existe a ausência da democratização do acesso a esse mecanismo social se tornou um desafio, em razão da mercantilização juntamente com a distribuição desigual dos acervos, deixando indivíduos marginalizados perante o atual contexto.

Mormente, a democratização da cultura é reflexo do Período Colonial brasileiro, com a vinda da Família Real houve um crescimento do acervo histórico e artístico, mas ficou restrito apenas a uma parte da população, tornando os indivíduos de classes mais baixas marginalizados de conhecimento. Sendo assim,na atual conjuntura, os museus- principais locais de acessos culturais- encontram-se em grandes centros urbanos, acarretando um “apartheid” socioespacial das pessoas provenientes de regiões periféricas e rurais, devido as longas distâncias. Dessa forma, a visão cultural é primordial diante uma sociedade estratificada, em virtude da desmistificação do preconceito enraizado, conforme a afirmativa da antropóloga Ruth Benedicit.

Ademais, o filósofo  Theodor Adorno, em sua teoria da “indústria cultural”, a arte passou a ser instrumento industrial com a finalidade lucrativa, revelando a forte ligação com a mercantilização dessa concepção na atual conjuntura brasileira. Consequentemente, essa ação promove a formação de dois grupos sociais distintos, predominantemente marcado por pessoas com alto poder aquisitivo, tendo amplo acesso a sabedoria histórica e artística. Desse modo, a barreira financeira é um desafio compacto diante essa problemática, necessitando da atuação governamental para reformular o cenário contemporâneo.

Urge, portanto, que a democratização do acesso a cultura é um desafio perante a sociedade brasileira, fruto do passado histórico da elitização dos acervos durante o Período Colonial, refletindo no atual contexto. Diante disso, o Estado, na figura do Poder Legislativo, deve promover uma PEC em parceira com Ministério da Cultura, a qual proporcione o projeto de movimentação do conhecimento histórico e artístico além das paredes dos museus, por meio de ações socioeducativas juntamente com uma plataforma gratuita acerca dos patrimônios materiais e imateriais das variadas regiões. Outrossim, palestras, oficinas e debates em regiões periféricas e rurais, a fim de integrar de maneira gradativa essa parte da população. Por fim, essas medidas têm o intuito de garantir a equidade de obtenção de elementos culturais conforme assegurado na Constituição Cidadã.