Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 09/04/2019

Promulgado pela Organização das Nações Unidas em 1948, a Declaração dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à igualdade social e ao bem-estar da população. Entretanto, devido à desigualdade sociocultural influenciada pelo capitalismo e o pouco investimento do governo em relação a cultura, tais direitos não são efetivos. Dessa maneira, cria-se o cenário ideal para problemática sobre os desafios para democratizar o acesso à cultura.

A princípio, segundo o filósofo Karl Marx, a base da sociedade é a economia. Em vista disso, pode-se destacar à luta de classes como fator de extrema relevância ao longo da história, tendo em vista, que proletariado ganhava pouco, trabalhava muito e sobrevivia com dificuldade, panorama inverso da vida da burguesia. Em relação a isso, pode-se destacar que a desigualdade social também é um problema para os dias hodiernos, tendo como exemplo as pessoas que não vão para os museus e exposições de arte porque não tem  condições de pagar a entrada ou roupas adequadas, evidência-se tal exemplo com dados da Unesco, os quais afirmam que 92% da população nunca foram ao  museu ou para alguma exposição de arte. Portanto, é evidente que à desigualdade é um entrave para  democratização cultural.

Outrossim, é importante ressaltar o pouco investimento a cultura ofertado pelas autoridades governamentais em pequenos municípios. Desse modo, cria-se o terreno ideal para um “apartheid cultural”, no qual os museus e centros de exposição de artes são localizados apenas em centros urbanos, dessa maneira, se tornando um obstáculo ao acesso da cultura por pessoas que moram em cidades periféricas. Em vista disso, pode-se salientar o cenário propicio para o crescimento de crianças sem senso crítico, tendo em vista, que elas não conhecerão a história do seu povo e suas raízes culturais, se tornando um “catalizador " para criação de adultos alienados.

Diante dos fatos supracitados, é necessário que o Estado por meio de sua autonomia, invista na construção de museus e centros de exposições de artes em pequenos municípios, com entrada grátis para população, buscando atenuar à desigualdade social e disponibilizar o acesso à cultura para toda sociedade. Dessa maneira, criar-se-á  a base para crianças crescerem conhecendo suas raízes culturais e por meio disso desenvolverem senso crítico e não se tornarem adultos alienados. Só então os direitos promulgados em 1948 serão efetivos.