Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 06/05/2019
Segundo Confúcio, filósofo chinês, “a cultura está acima da diferença da condição social”. No entanto, na realidade brasileira, a cultura não é livremente praticada e acessada por todos, contrariando também a atual Constituição, que garante o pleno exercício e acesso à fontes culturais. Assim, a deficiência na lei pode ser percebida na indisponibilidade da cultura à todos os cidadãos e na falta de investimento por parte do Governo.
Em primeiro lugar, a comercialização da cultura apresenta-se como um meio de restrição ao acesso desta. De acordo com o IBGE, 10% dos mais ricos são responsáveis por cerca de 40% de todo o consumo cultural do país. Dessa maneira, os altos valores impostos em livros e ingressos de shows, cinemas e teatros restringem a aquisição para uma população de maior poderio econômico. Ademais, os locais de exposição cultural geralmente são os centros de cidades mais desenvolvidas, proporcionando uma exclusão das pessoas que moram em periferias ou cidades pequenas, o que deixa evidente essa “cultura de elite”.
Outrossim, o descaso do Governo em preservar a cultura existente, promovê-la e facilitar o acesso, contribui para a decadência desta. Como prova disso, há o incêndio ocorrido no Museu Nacional ano passado, em 2018, que retrata a negligência das autoridades, culpadas, pois no governo anterior foram cortados 60% dos recursos pelo MEC e pela UFRJ, responsável pela gestão do museu. Além disso, segundo dados da UNESCO, 90% dos municípios brasileiros sofrem com um “abandono cultural”, sem salas de cinema, museus, teatros e afins, ou apresentam espaços com estruturas precárias, mal funcionamento e baixo acervo, fatos que não estimulam a população a utilizarem esses lugares.
Portanto, para a democratização do acesso a cultura é necessário acabar com a elitização e que o Governo mostre-se mais atencioso na preservação e no estímulo para que as pessoas se sintam mais incentivadas a usufruir dos espaços culturais. Desse modo, o Ministério da Cultura deve promover cursos gratuitos de artes, música, dança e teatro, visando atingir a maioria dos municípios. Assim como seria interessante criar-se leis, que estabeleçam um preço máximo para livros e ingressos, e que estes estejam de acordo com as condições da maior parte da população. Com essas medidas, a cultura poderá ser acessada por um número maior de pessoas, porém, caberá ao Governo construir, reformar e proteger as casas culturais.