Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 03/10/2019
No contexto da Ditadura Militar Brasileira, no período de 1964 a 1985, a população nacional era submetida à censura dos meios artísticos e não dispunha do livre acesso aos meios culturais veiculados na mídia. Entretanto, hodiernamente, observa-se que persistem os desafios para a ampla democratização da cultura no âmbito brasileiro. Com efeito, a inoperância estatal no estímulo à aquisição de meios culturais e a omissão social no consumo de conhecimento, configuram-se como entraves para a superação do problema.
Em primeira análise, nota-se o descaso do Estado no que tange à popularização e disseminação dos mecanismos culturais. Segundo a óptica filosófica de São Tomás de Aquino, todos os cidadãos são iguais em direitos e dignos da mesma importância. Contudo, a prática deturpa a teoria, visto que a malha brasileira carece de fomento para a ampliação da obtenção de ingressos de shows musicais e cinema, além da compra de livros a preços baixos. Em consequência disso, a parcela nacional fica a mercê de um precário acesso aos meios de socialização e de aquisição de conhecimento, fato que contradiz os dizeres da Carta Magna de 1988,a qual garante o alcance de tais meios por vias constitucionais.
De outra parte, percebe-se a postura indiferente da sociedade no que se refere ao hábito de busca de conhecimento. De acordo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, o corpo social possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos. Sob esse viés, infere-se que a coletividade, ao longo do tempo, absorveu uma “cultura do comodismo”, a qual, seja por preguiça ou falta de “tempo”, condicionou-a, por exemplo, à um precário costume da leitura e à baixa frequência em espetáculos teatrais. Destarte, medidas enérgicas são necessárias para se alterar essa “padronização” proposta por Bourdieu.
Portanto, nesse cenário, é vital a mudança do quadro limitado de socialização cultural no Brasil. Para tal, o Tribunal de Contas da União deve aumentar o percentual de verbas, que por intermédio do Ministério da Cultura, serão revertidas na criação de shows gratuitos com atrações nacionais, bem como a diminuição da taxação de livros, gibis e revistas, para o abrangência equânime da população, com o intuito de promover a difusão das nuances da cultura brasileira, no fito de garantir o que é previsto em Lei. Ao mesmo tempo, cabe às Prefeituras, aliadas às lideranças de bairros, a realização de feiras e saraus culturais em escolas e praças, com vistas a instigar a criticidade e a busca do conhecimento pelos indivíduos. Assim, atitudes “anti-culturais” retrógradas ficariam apenas no passado.