Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 02/10/2019
A construção da história cultural brasileira revela um país diverso e miscigenado. Nesse panorama, índios, africanos e europeus deixaram sua contribuição na língua e na culinária, por exemplo. Todavia, hodiernamente, é lamentável constatar que a aproximação às manifestações culturais ainda é restrita à uma pequena parcela populacional. Com isso, o país enfrenta desafios para democratizar o acesso à cultura, representados não só pelo combate à desigualdade social, mas também pela luta contra o domínio da indústria cultural.
Nesse sentido, o enfrentamento da desigualdade social no acesso à cultura representa um grande desafio para a democratização. Nesse âmbito, para o filósofo cultural Nietzsche, a cultura é a fusão harmônica do físico e do intelectual de forma democrática em uma sociedade. Assim, é essencial a participação integral dos cidadãos nas manifestações culturais para a construção da autêntica democracia. Contudo, o Sistema de Indicadores Culturais revela que 10% dos mais ricos do Brasil são responsáveis por 40% do consumo cultural do país. Visto isso, tal situação revela a lamentável disparidade socioeconômica que acaba por ameaçar os direitos democráticos e culturais da nação.
Além disso, o predomínio da indústria cultural é outro impasse a ser vencido. Nesse contexto, Adorno afirma que essa indústria transforma os indivíduos em seus objetos e não permite a formação da autonomia consciente. Dessa forma, já que a maioria está alheia às manifestações identitárias, esse grupo acaba por ter a construção do pensamento crítico e do sentimento de pertencimento cultural deploravelmente furtada. Outrossim, da mesma forma que Adorno construiu sua música fora da tradição de ordem e harmonia, é preciso mitigar o domínio dos padrões industriais da cultura para que a verdadeira identidade brasileira seja partilhada de forma democrática e justa.
Portanto, diante do desafio da socialização da cultura no Brasil, é preciso concretizar essa realidade. Para isso, é importante que o Ministério da Cultura fomente a realização de atrações culturais nas periferias, por meio de recursos federais. Dessa maneira, devem ocorrer mensalmente atrações nas praças e comunidades, que envolvam danças, artesanatos e músicas. Ademais, devem participar artistas da própria comunidade, para que a desigualdade seja um desafio vencido. Por fim, o Ministério da Educação deve promover o ensino da cultura, por meio de aulas semanais que abordem história, artes e dança. Desse modo, aulas lúdicas precisam colaborar para a formação do pensamento crítico desde a infância, para que o domínio da indústria cultural seja mitigado. Diante disso, a história cultural do Brasil miscigenado perpetuará de forma justa e igualitária.