Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 17/10/2019
Na obra “Utopia”, do inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a democratização ao acesso à cultura apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de investimentos nesse setor, quanto dos seus altos preços de acesso. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o acesso restrito à cultura apenas para a elite da sociedade deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos todos indivíduos tem o direito de ter acesso à cultura, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de investimentos nesse setor tão importante para a sociedade, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 10% das cidades brasileiras possuem locais físicos de acesso a cultura. Ademais, conforme O Globo, 74% dos espaços culturais da cidade de São Paulo estão concentrados nos dois lugares mais ricos da urbe. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal porque acessar a cultura se tornou inviável às camadas populares.
Outrossim, é imperativo ressaltar que os altos custos para ter contato com a cultura é o promotor do problema. Partido desse pressuposto, temos como exemplo, o preço dos ingressos para assistir um jogo de futebol, no qual no estadio Maracanã o menor valor para não sócios torcedor é de 100 reais. Portanto, a cultura tornou-se um produto que visa lucros, tornando a democratização do seu acesso ainda mais complicada, pois grande parte da população brasileira não tem condições de pagar para assistir aos espetáculos.
Destarte, urge esforços do Estado para reverter a situação. Com intuito de mitigar a não democratização do acesso à cultura, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio das prefeituras, será revertido no acesso a cultura para toda população, através da construção de espaços de lazer e cultura como; cinemas, museus, parques, circos, entre outros. Logo, antes de iniciar as construções, a prefeitura deve realizar uma pesquisa com a finalidade de descobrir o que a população prefere para as horas de lazer. Assim, não será necessário grandes gastos para realização das obras, poque será promovido diretamente o que as pessoas mais gostam e por esse motivo os preços a serem cobrados devem ser menores. Dessarte, todos terão acesso a cultura e a coletividade alcançará a Utopia de More.