Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 19/10/2019
A cultura de um grupo está manifesta na sua história, nos seus costumes, no seu patrimônio (material e imaterial) e nas suas produções artística e científica. Nesse sentido, ter cultura significa desfrutar de toda a potencialidade do coletivo. No entanto, poucos são os que têm oportunidade irrestrita de conhecer e apreender os elementos culturais da sociedade, uma vez que a própria se encontra imersa no modelo econômico capitalista, fundamentado na monetização de tudo o que é possível. Portanto, na lógica desse sistema, o acesso à manifestações culturais deve ser pago. Disso decorre que, como há desigualdade socioeconômica, haverá também iniquidade no alcance aos eventos culturais.
Em uma primeira análise, é válido destacar que 10% da população brasileira detêm 43% da massa de rendimentos do país, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, em 2018. Do exposto, pode-se inferir o (alto) índice de desigualdade social presente no país. Dessa forma, a ideia de comercialização generalizada das práticas culturais, como a entrada em um museu, em um estádio esportivo ou em um cinema, pode ser perversa: em uma situação hipotética, alguém que utiliza todo o seu dinheiro para subsistir (adquirindo itens de insumo básico) estaria condenado a não participar de eventos onde a cultura da coletividade se faz presente.
Ademais, no exemplo supracitado, viola-se direito básico do cidadão que é a educação. O significado desta palavra extrapola o que é dado pelo senso comum: consiste em vivências diversas a fim de se aprender a se comportar perante as adversidades da vida. Com base nisso, Immanuel Kant, filósofo alemão, propôs que é somente por meio da educação que os indivíduos terão autonomia, liberdade. Em suma, uma população que só pode consumir uma peça de teatro, uma palestra com um especialista, dentre outras coisas, com moeda de troca, estará marcada pela injustiça no desenvolvimento pessoal, o que implica em menos jovens e adultos esclarecidos e atuantes em prol de boas causas.
Diante desse quadro, faz-se mister a difusão da ideia de ingresso social: o poder executivo, em esfera municipal e, com base nos dados da renda familiar de seus habitantes, deve destinar um fundo para custear a entrada em variados eventos culturais, como shows musicais e seminários, para os menos favorecidos socioeconomicamente, de modo que as oportunidades para se conviver com um mundo de possibilidades distintas, de ideias plurais sejam melhor distribuidas. Assim sendo, a educação aos mais vulneráveis pode alterar rotas de vida, melhorando toda a sociedade.