Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 04/11/2019
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas em 1948, garante bem-estar social e o pleno acesso ao lazer. Entretanto, apesar do Brasil ser signatário da DUDH, não se evidencia, de fato, o acesso democrático aos meios lúdicos e ao cinema, o que é ocasionado por desigualdades sociais e gera o distanciamento cultural da população. Nesse sentido, convém analisar as causas, consequências e possível forma de aproximar o brasileiro dos espetáculos artísticos.
Em uma primeira análise, as desigualdades sociais e econômicas contribuem para a inacessibilidade dos espetáculos cinematográficos. Nesse ínterim, a Ancine, Agência Nacional do Cinema, revelou estatísticas assustadoras: 83% da população não frequenta (regularmente) as salas de cinema. Assim, conforme os dados, os entrevistados revelam que, pelos enormes preços, preferem assistir filmes em casa. Com isso, o filósofo T. Adorno explica que a indústria cultural tem apenas o objetivo de lucrar e, para isso, utiliza de métodos segregacionistas (como o aumento dos preços). Fica explícita, dessa forma, a intrínseca e problemática ligação entre a elitização dos espaços culturais e o afastamento da população brasileira desses espaços.
Outrossim, em uma segunda análise, o distanciamento cultural dos cidadãos é produto de um cinema não democrático. De forma análoga, Monteiro Lobato, célebre escritor, em sua obra ‘’O Contos do Jéca’’, apresenta a vida de um morador do interior paulista. Jéca tem o sonho de conhecer a capital e o cinema. Contudo, o desejo do personagem não é um simples ‘’luxo’’, pois consoante ao historiador B.Fausto ,peças teatrais, filmes e músicas servem para aproximar o povo de sua própria culturas e raízes sociais .Destarte, os cidadãos devem estar próximos de ambientes lúdicos e cinematográficos com o fito de conhecer e manter a cultura brasileira.
Fica evidente, portanto, que medidas devem vigorar para tornar o acesso ao cinema democrático no Brasil. Logo, o Governo Federal deve, por meio de parcerias público-privadas e incentivos financeiros a prefeituras municipais e empresas, exibir em praças públicas filmes, peças teatrais e musicais (não apenas de origem nacional, mas também internacionais). Visto isso ,a finalidade é além de tornar a população mais íntima dos ambientes culturais, cumprir o previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos por meio da aproximação da invenção dos irmãos Lumiére.