Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 05/11/2019

O teatro surgiu na Grécia antiga, como forma de manifestação cultural e artistica que expressava uma história ou mensagem por meio da interpretação cenica, com os avanços tecnológicos e o surgimento das filmadoras, tais encenações puderam ser gravadas e exibidas através do cinema, surgindo assim uma nova arte. Entretanto, no atual cenário brasileiro, nota-se que não conseguimos universalizar o acesso a esse tipo de conteúdo. Com isso surge, a problemática da democratização do acesso ao cinema, que decorre, infelizmente, não só por conta da ausência de salas de exibição em locais afastados dos centros urbanos, mas também pelos altos preços cobrados.

Primeiramente, é importante ressaltar que, dados de 2019, obtidos por pesquisas e disponiveis no site “meio e mensagem”, demonstram que 83% da população não frequenta o cinema. Nesse sentido, observa-se uma lacuna social, que reflete na ausência de atuação do poder público, pois a maioria dos brasileiros é impossibilitada de frequentar esses espaços, sendo privada de um direito constitucional, o de poder usufruir da cultura e entreternimento. O filósofo Thomas Hobbes defende um estado forte, pois esse é o único capaz de garantir justiça e estabilidade social. Em paralelo a esse pensamento, evidencia-se a necessidade da adoção de medidas públicas, por meio da força do estado, afim de proporcionar pleno acesso ao cinema como instrumento de cultura e diversão.

Em segundo plano, cabe mencionar que, outro fator que segrega parte da população, e impede que ela possa aproveitar os filmes, são os preços desse serviço, que fogem do padrão médio de aquisição a população. Dessa forma, a função social do cinema é oprimida, por conta da falta do acesso a essas obras. De acordo com John Locke, o home nasce como uma folha em branco, ou seja, sem senso crítico, e as experiências adquiridas ao longo de sua formação moldam o indivíduo. Em analogia a essa ideia, é notório que a falta do cinema na vida das pessoas, exclui o desenvolvimento da reflexão e emoções que poderiam ser despertadas pela 7ª arte, dificultando sua formação.

Infere-se, portanto, que a Ancine em parcerias com as Secretarias de cultura. Devem promover “carretas móveis”, que circulem em todos os estados e por diferentes regiões, estando aparelhadas com instrumentos que possibilitem a montagem de espaços para a exibição de filmes de forma gratuíta. Em conformidade com essa medida, as exibições devem ocorrer em locais públicos e priorizarem filmes nacionais, difundindo a cultura e entreternimento através de nossas produções. Ademais, o Ministério da Economia deve subsídiar as empresas proprietárias das salas de exibição, para poder gerar um barateamento dos preços e incentivar o crescimento desse mercado. Dessa forma, poderemos mitigar os efeitos da ausência do cinema, democratizando esse conteúdo.