Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 05/11/2019

No filme “Uma professora muito maluquinha”, baseado no livro de Ziraldo, uma das atitudes tomadas pela protagonista para renovar o ensino em sua escola foi levar a classe na qual lecionava ao cinema. Esse passeio, foi para alguns alunos, a primeira experiência cinematográfica de suas vidas. Isso porque, assim como no Brasil contemporâneo, problemas como, a desvalorização da cultura e a má distribuição de renda, impedem a plena democratização do acesso ao cinema.

Em primeiro lugar, é notória a desvalorização cultural no maior país da América do Sul, o que decorre do descaso governamental e da influência midiática. Nesse viés, incêndios como o do Museu Nacional-que gerou a perda de artefatos de grande valia para a formação cultural brasileira-evidenciam a negligência do poder público no que tange a valorização da cultura. Além disso, consoante ao defendido pelos filósofos da Escola de Frankfurt, a mídia funciona como meio para o controle ideológico. Assim, propagandas que vinculam a felicidade ao comodismo proporcionado pelas empresas de televisão por assinatura corroboram a depreciação de demonstrações culturais como o cinema, pois trabalham apenas visando a venda de assinaturas pelas empresas de televisão à cabo.

Em segundo lugar, é sabido que a má distribuição de renda no Brasil dificulta o acesso da parcela mais carente da população à apresentações culturais. Sob essa perspectiva, o livro “Quarto de Despejo”, de Maria Carolina de Jesus, expõe a dificuldade da população pobre para acessar a leitura, quiçá o cinema. Tal fato, é embasado pelo Índice de Gini, que avalia a distribuição de renda e mostra a nação brasileira como uma das que possuí maior disparidade econômica no mundo. Logo, percebe-se a influência da desigualdade sócio-econômica sobre a dificuldade de total democratização da cultura.     Portanto, urge a tomada de providências para a melhoria do quadro atual. Em suma, cabe às emissoras de televisão, por meio da criação de ficções subsidiadas pelo governo, mostrar os benefícios de frequentar o cinema, visando tornar a população brasileira mais consciente quanto à importância da valorização cultural. Ademais, o Estado deve, a partir do incentivo fiscal à abertura de empresas, criar empregos e propiciar uma renda digna a toda a população, a fim de propiciar o acesso de todos à cultura e generalizar o alcance ao cinema, como feito pela professora maluquinha na obra de Ziraldo.