Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 06/11/2019
A corrente modernista - de 1922 - buscava quebrar paradigmas e , também, valorizar a cultura brasileira. Porém, apesar desse fato, ainda é perceptível , no século XXI, empecilhos no acesso a locais que disseminam arte e cultura, como museus e cinemas. Por essa razão, cabe discutir de que maneira o capitalismo Ocidental e o modelo escolar defasado corroboram na baixa democratização do acesso aos cinemas nacionais.
A priori, é evidente que a ideologia capitalista dificulta a constituição das salas de cinema por todas as camadas sociais. De acordo com Horkheimer, sociólogo alemão, o termo Indústria Cultural designa a elaboração da arte com fins lucrativos, fator que pode explicar o alto preço dos ingressos dos filmes. Esse fenômeno, além de estar atrelado ao capitalismo, apresenta forte apoio midiático, haja vista o apelo - por propagandas - da prática consumista. Por conseguinte, apesar da incitação da mídia, o fator econômico alça , a camada de baixa renda, a possibilidade de frequentar as salas de cinema.
Outrossim, o modelo escolar vigente imobiliza a reação dos cidadãos. Isso porque , esse molde educacional, perdura desde a época da industrialização - em 1950 - e que apenas objetivava a qualificação da mão de obra. Ademais, as instituições de ensino não progrediram, pois apenas visam a preparação dos alunos para concursos e , assim, não desenvolvem preceitos críticos pautados na ética e cidadania. Em consequência disso, a população se torna inerte por não receber a instrução - desde a base escolar - da luta por direitos presentes na Constituição Federal brasileira, como o direito inalienável do acesso ao lazer.
Urge, portanto, a necessidade de ampliar o acesso ao cinema para todo o tecido brasileiro. Para isso, cabe ao Poder Legislativo, em consonância com o Judiciário, a elaboração de uma lei que obrigue aos cinemas a diminuição do preço dos ingresso - mediante a comprovação de baixa renda - a fim de incluir a camada de baixo poder aquisitivo. Além disso, o Poder Judiciário , deve promover fiscalizações periódicas para afirmar a execução da lei e , também, emitir multas aos não colaboradores. É responsabilidade do Ministério da Educação, adicionar à grade curricular a matéria de ética e cidadania, em escolas públicas e privadas - no ensino médio e fundamental - com o fito de garantir discussões acerca de temas como : o combate ao preconceito, xenofobia e a luta por direitos sociais. Dessa maneira, o ideal modernista , gradativamente, poderá ser realidade no século XXI.