Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 08/11/2019
Título: Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Promulgada em 1988, a Constituição Federal do Brasil diz, em seu artigo 6°, que todos os brasileiros têm direito à cultura e ao lazer. No entanto, parte da população brasileira não usufrui, na prática, deste direito o qual inclui o acesso democrático ao cinema. Tal cenário é fruto da baixa condição socioeconômica de parte da sociedade e da falta de interesse de grupos de iniciativa privada em expandir os serviços de exibição de filmes em regiões menos urbanizadas.
Primeiramente, é preciso destacar que grande parte da população brasileira é de baixa renda, e por esta razão muitos jovens e adultos não possuem condições financeiras para ir ao cinema e comprar o ingresso. Segundo o IBGE, dados de 2018, mais da metade da população brasileira vive com uma renda inferior a um salário mínimo per capita. Assim, este cenário corrobora para a problemática, uma vez que a renda familiar é destinada para alimentação, transporte, despesas de água, luz e gás e vestuário, de modo que sobra pouco ou nada do orçamento que possa ser aproveitado em lazer. Destarte, visto que o cinema é, também, uma fonte de cultura e entretenimento, muitas famílias deixam de ir assistir aos filmes por causa de questões financeiras que limitam o acesso cultural. Nesse sentido, é indubitável que devido a fatores econômicos, parte da população tem seu acesso ao cinema limitado.
Ademais, vale destacar que a ausência de empresas exibidoras de conteúdos cinematográficos em algumas regiões do país é um promotor do imbróglio. De acordo com a ANCINE (Agência Nacional de Cinema), o Brasil possui atualmente 2.200 salas de filmes no país, tal número é irrisório quando comparado proporcionalmente a população nacional. Além disso, segundo a agência a maioria das salas encontra-se em regiões mais desenvolvidas, em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste são as mais desassistidas pelas empresas que oferecem esse tipo de serviço ao público e, como consequência, populações inteiras de cidades não têm a opção cultural do cinema. Desse modo, é imperioso concluir que a centralização dos cinemas no Brasil em algumas regiões, em detrimento de outras, é um fator para diminuir a democratização de acesso às telas.
Portanto, conforme disse o filósofo Confúcio, “a cultura está acima da diferença da condição social”, assim, fatores socioeconômicos não devem ser empecilho para vivenciar a cultura. Logo, a fim de garantir a democratização do acesso ao cinema no Brasil, os empresários que são donos de shoppings centers e cinemas deverão expandir para todas as regiões do Brasil os serviços de cinema, por meio de empresas como Cinépolis e Kinoplex, para alcançar um maior numero de pessoas. Dessa forma, o direito constitucional do lazer e cultura será assegurado a todos por meio dos cinemas.