Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 09/11/2019
O sociólogo francês Pierre Bourdieu diz que o que foi idealizado como instrumento de democracia não pode ser usado como instrumento de opressão. De maneira análoga, os meios culturais são, infelizmente, uma forma de segregação social, visto que não é toda a população que possui acesso a eles. Isso é causado pela ineficácia governamental quanto ao assunto e pela falta de incentivo ao consumo das artes, o que configura um problema a ser discutido.
Em primeiro plano, nota-se que o governo não propicia as medidas necessárias para que a população de menor poder econômico vá a espetáculos como cinema e teatro. Nesse sentido, o filósofo J.J. Rousseau responsabiliza o Estado, no Contrato Social, de fornecer as condições para o bem-estar comum. Entretanto, a má distribuição das salas e auditórios audiovisuais pelo Brasil e os altos preços dos ingressos distanciam o cidadão da arte. Logo, o poder público contraria não só o conceito de Rousseau mas também a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante a democratização da Cultura.
Ademais, é nítido que os meios de comunicação não incentivam o interesse às artes. Desse modo, o escritor Aldous Huxley acreditava que a população estaria imersa em um mar de inutilidade, o que, consequentemente, levaria o desinteresse dos aspectos culturais. Similarmente, o livro “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury retrata uma sociedade distópica na qual os livros foram proibidos após o não consumo deles. Sendo assim, o desinteresse das classes, fomentado pela falta de políticas públicas, provoca a manutenção da estratificação social vigente no Brasil, pois o acesso é restrito implicitamente às pessoas de maior poder econômico, como na obra de Brudbury.
Portanto, urge que os ativistas dos Direitos Humanos promovam protestos nas redes sociais a fim de pressionar o Ministério da Cultura a fornecer incentivos fiscais às empresas de cinema e teatro para que elas se instalem nas áreas periféricas das cidades. Além disso, as prefeituras municipais devem utilizar de verbas públicas para promover feiras gratuitas de exibição de filmes clássicos nas praças e centros comunitários. Por último, cabe ao Ministério Público, com uso de impostos arrecadados, veicular nas grandes emissoras de televisão propagandas que formariam uma consciência coletiva acerca da importância da cultura e incentivaram a população a consumi-la.