Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 11/11/2019

Na Grécia antiga, o teatro era utilizado pelos cidadãos para propagação de cultura, contando as histórias dos guerreiros e seus feitos nas guerras. Hodiernamente, com o auxílio da tecnologia, um maior número de pessoas podem ter acesso à cultura por meio do cinema. Entretanto, no Brasil, tal recurso ainda é restrito a pessoas privilegiadas, causando uma segregação cultural, que está vinculada à falta de oportunidades para pessoas sem condições de acesso ao cinema, como também a inércia governamental perante a valorização do cinema nacional.

Em primeira análise, é válido ressaltar que a impossibilidade de acesso ao cinema por algumas pessoas se deve à segregação social. De acordo com o jurista Nery Junior, “tratar as pessoas com isonômia é tratar os iguais com igualdade e com diferença os diferentes, na exata medida de sua diferença”. Logo, é inadmissível que o Estado não ofereça mais recursos às pessoas com poucas condições, já que, de acordo com a Agencia Nacional de Cinema, grande parte dos cinemas se encontram em áreas nobres das cidades e cobram altos valores.

Outrossim, pode-se observar a falta de valorização do cinema nacional como um impulsionador do problema, não criando uma identificação entre a população e os filmes do cinema. O filme “O alto da compadecida”, do autor Ariano Suassuna, foi um dos filmes com maior bilheteria no Brasil na época que foi lançado, por retratar a realidade do povo nordestino, atraindo diversas pessoas que se sentiram inspiradas pela história apresentada. Assim, é de suma importância o investimento no cinema nacional, incentivando a propagação das culturas brasileiras pelas diversas camadas da sociedade.

Portanto, mediante os fatos supracitados, são necessárias medidas que visem a democratização do acesso ao cinema. A fim de atingir as camadas mais vulneraveis da sociedade, o Ministério da Cidadania, deve oferecer seções de cinema gratuitas, por meio da criação de cinemas populares e públicos em locais afastados dos centros urbanos e com população mais pobre, oferecendo filmes nacionais. Assim, o Brasil diminuirá a segregação cultural, democratizando o acesso ao cinema.