Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 13/11/2019

Consoante o filósofo Immanuel Kant, o princípio da ética é agir de forma que essa ação possa ser universal. Essa visão, embora correta, não é efetivada no cenário no hodierno global, sobretudo no Brasil, posto que é nítido uma segregação em relação ao acesso aos cinemas nacionais. Isso ocorre não só devido à falta de infraestrutura, mas também em decorrência do descaso de empresas, as quais optam pelo lucro em detrimento da democratização do acesso ao cinema. Destarte, é imprescindível uma discussão acerca desses tópicos a fim de mitigar a problemática.

Mormente, vale ressaltar que a situação supracitada salienta, infelizmente, as grandes diferenças sociais presentes na nação. Segundo o filósofo e escritor Franz Kafta, a solidariedade e altruísmo são características que definem o respeito e dignidade humana. No entanto, o governo, ao negar investimentos em infraestrutura para as classes sociais com menos recursos financeiros, acaba por agir de modo contrário às ideias do autor. Isso ocorre tanto nos dias de hoje, quanto durante toda a história nacional, visto que o estado sempre esteve subordinado aos interesses das elites contemporâneas. Dessa forma, o pleno acesso aos cinemas nacionais se restringe à determinada parcela da população, realidade inaceitável para o país.

Ademais, é oportuno frisar que muitas empresas agem de maneira egoísta e não têm como objetivo principal o bem-estar social, mas sim o retorno financeiro. Conforme o sociólogo Karl Marx, as ações humanas devem ter o fito de beneficiar a sociedade como um todo. Todavia, uma vez que diversas instituições elevam o preço dos ingressos das grandes telas por ambições individualistas e, consequentemente, criam barreiras para o acesso ao estabelecimento, as ideias do autor são simplesmente ignoradas. Desse modo, o lucro e a ganância expõem as mazelas do sistema capitalista, as quais já haviam sido previstas por Marx, e aumentam as disparidades sociais.

Diante desse contexto, fica claro, pois, que medidas são necessárias para atenuar o cenário atual. Assim sendo, o governo deve destinar verba para a construção de novos cinemas, por meio de parceria com empresas de construção, as quais executarão a tarefa, de forma a beneficiar todas as esferas da população e não alguma classe social em específico. Tal conduta terá como objetivo a difusão e democratização do acesso às grandes telas no país. Além disso, compete às empresas proporcionarem o acesso ao cinema para toda a população, sem cobrança de tarifas segregadoras. Dessa forma, essas ações, em conjunto, gerarão uma sociedade mais democrática e enaltecerão, de acordo com as ideias de Immanuel Kant, o princípio da ética.