Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 20/04/2020
‘‘A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.’’ Trecho retirado da música ‘‘COMIDA’’ escrita nos anos 80, da banda Titãs, retrata uma sociedade que deseja o acesso democrático a cultura. Tal conjuntura se relaciona com o contexto do Brasil Contemporâneo, visto que ainda se perpetua uma massa da população brasileira que não tem acesso a cultura. A partir disso, faz- se pertinente analisar como o conceito de capital cultural e a indústria cultural corroboram para esse cenário.
A compreensão desse quadro requer o reconhecimento de que a população que vive na menor classe social brasileira se encontra apartado de cultura, pois o sistema vigente no Brasil de divisão social faz com que pessoas de alta renda tenham mais acesso a cultura. Tal ideia se conecta com o conceito ‘‘Capital Cultural’’ do sociólogo Pierre Bourdieu. Para o estudioso, as classes dominante são as que tem maior acesso a cultura, além disso a classe dominante impõe as classes dominadas a sua própria cultura, dando a um valor incontestável. Com isso, é comprovado que o acesso a cultura no Brasil não é democrático.
Ademais, ganha relevância nesse assunto, a ideia de ‘‘indústria cultural’’ do filósofo Theodor Adorno. Para ele, a arte ao longo do tempo foi de ter sua verdadeira importância, passando a ser um instrumento industrial com total finalidade lucrativa. A mídia tem assumido esse papel, moldando culturalmente a população, transmitindo apenas o que gera lucro e criando uma cultura capitalista. Dessa forma, os valores culturais e toda produção artística regional é desvalorizada e esquecida, causando uma desigualdade cultural.
É necessário, promover ações concretas as quais atenuam essa problemática. Logo, cabe a Secretária Especial da Cultura a tarefa de criar projetos de preservação da cultura e acesso democrático por meio de palestras, exibições cinemáticas de filmes regionais gratuitas, ampliação e propaganda de museus abertos a população, além disso ampliar programas já existentes, como o vale cultura, mediante a uma parceria com agentes midiáticos e escolas de todo o país, com o fito de minimizar o problema. Espera-se, dessa forma, uma sociedade diferente da frase mencionada no primeiro parágrafo, onde pessoas de baixa renda podem ter o acesso e transmitir sua cultura livremente.