Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 20/05/2020

O livro " O Cortiço", do escrito brasileiro Aluísio Azevedo, retrata a precária condição econômica da sociedade brasileira no fim do século XIX, a qual o escritor descreve principalmente como excludente. De maneira análoga ao conto de Aluísio, a democratização do acesso à cultura reflete as disparidades descritas no conto - já que nem todos possui alcance a este direito. Nesse sentido, tanto a elitização econômica da cultura quanto a ineficiente distribuição de áreas culturais colaboram para que as problemáticas descritas no livro sejam produzidas na atual sociedade.

Em primeiro plano, é crucial apontar como a elitização financeira do aparato cultural é prejudicial. De acordo com Confúcio, filósofo chinês, “a cultura está acima da diferença de condição social”. Nesse contexto, porém, o pensamento do filósofo é deturpado, visto que a disponibilidade de meios culturais é direcionada a indivíduos com maiores poderes aquisitivos, haja vista os altos custos de consumo desse setor - como o de cinemas e teatros, por exemplo. Nessa sequência, pode-se visualizar como a especificidade de um grupo mais beneficiado economicamente influencia na desigualdade, uma vez que os elevados custos de utilização dessas áreas impede a introdução de parte da população - que em maioria não possui uma quantidade substancial de recursos para a usufruir do âmbito cultural. Desse modo, a disponibilidade de exercícios culturais exclusivos a elites revelam o retrocesso democrático.

Ademais, faz-se necessário apontar a precário fornecimento do setor cultural. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 41% de toda aplicação cultural está em capitais estaduais. Nessa continuidade, é fato que o contratempo da distribuição cultural afeta a democratização da democratização cultural, dado que o baixo nível populacional, juntamente com a baixa lucratividade econômica contribui na ocorrência negativa para que  empresas e campos governamentais impossibilitem incentivos fiscais a esses locais - como, por exemplo, pequenas cidades, pois não produzem altos ganhos. Dessa maneira, a população e impedida de concretizar a atividade cultural por conta do baixo provimento que, infelizmente, é negado por interesses lucrativos.

Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de mitigar os antagonismo. Primeiramente, os governos estaduais e o legislativo, devem estipular por meio de leis a criação de organizações culturais que irão atuar em parques e escolas a partir de apresentações culturais gratuitas - estás, também deverão garantir informações sobre a importância da preservação cultural. Além disso, é indispensável que governos estaduais providencie livros e filmes que serão direcionados gratuitamente a cidades que tenham baixo poder aquisitivo, buscando a finalidade de incluir a população aos meios artísticos e culturais do país. Assim, com essas ações o Brasil irá se afastar do conto naturalista de “O Cortiço”.