Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 28/05/2020

Na Grécia antiga, cada cidade possuía uma Ágora - uma praça pública onde acorriam os debates políticos - . Na ágora, somente aqueles que eram considerados cidadãos da cidade - homens com mais de 21 anos, que fossem atenienses e filhos de pais atenienses - poderiam frequentar, debater e opinar acerca dos assuntos políticos. Sendo assim, todos os outros moradores da cidade eram “excluídos” e privados de tal participação. Analogamente, tal exclusão as minorias também é vista no acesso à cultura no Brasil e, de fato, merece uma maior discussão. A gravidade do problema é evidenciada pelos altos preços cobrados para frequentar lugares que ofereçam acesso à cultura - como cinemas e teatros - que, por conseguinte, tornam o acesso mais difícil e geram exclusão social da população mais carente.

Em uma primeira análise, é válido salientar que o acesso à cultura é um direito assegurado pela Constituição Federal. Contudo, mesmo sendo um direito, nota-se que não há um pleno exercício da lei, visto que a população mais carente que, na maioria das vezes, moram em comunidades, não possuem dinheiro - pois o dinheiro para “diversão” não é uma prioridade na vida dos mais pobres - e, ainda, moram longe dos grandes centros urbanos onde se encontram, por exemplo, o cinema e o teatro - principais meios de acesso à cultura - . Isso, infelizmente, gera a exclusão da população que não possuem recursos financeiros para pagar o ingresso e o transporte até tais locais. Tal ato, é abordado no filme “A Invenção de Hugo Cabret”, ao mostrar que um garoto de 12 anos não possui dinheiro para pagar o ingresso do cinema e, com isso, precisa entrar escondido para prestigiar os filmes.

Ademais, é importante ressaltar que grande parte da população têm sido “privada” de ter acesso à cultura. Sendo assim, é importante evidenciar que, além do cinema e do teatro, a leitura é outra forma de se obter acesso à cultura - visto que a leitura é muito importante para a construção social do indivíduo - . Sendo assim, além de serem excluídos dos centros culturais - cinemas e teatros -  o acesso da população mais pobre aos livros também tem se tornado “distante” , pois eles são muito caros. Tal ato contraria o pensamento do filósofo Emmanuel Lévinas, que diz que uma sociedade justa deve respeitar a alteridade dos seus membros, visto que sua exclusão é uma forma de violência.

Portanto, é necessário que o Ministério da Economia e o Estado - responsável por zelar pelo coletivo -  destinem verbas públicas para a criação de um acesso livre ao cinema, teatro e no desconto na compra de livros, por meio da criação de “carteirinhas” que serão destinadas aqueles que são mais pobres e não possuem dinheiro para  ter acesso a tais “transmissores” de cultua. Espera-se, com tal atitude, que não hajam mais  desafios para democratizar o acesso à cultura.