Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 25/07/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao acesso limitado e desigual às manifestações e aos espaços culturais, visto que 39,9% da população vive em cidades sem cinema, conforme dados divulgados em 2019 pelo IBGE. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a insuficiência de leis e a falta de conhecimento.
A princípio, a insuficiência legislativa apresenta-se como um complexo dificultador. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à garantia dos direitos culturais, uma vez que, acervos nacionais são constantemente abandonados devido à negligência governamental e, consequentemente, restringindo o acesso da população brasileira às fontes da cultura nacional. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.
Outro ponto relevante nessa temática é a falta de conhecimento. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre a importância da cultura para a formação da memória nacional, sua visão será limitada. Segundo a assessora de Educação Étnico-Racial, Regina Conceição, a maioria dos educadores desconhecem a cultura afro-brasileira, realidade preocupante que leva à perda da identidade e da diversidade cultural.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância da democratização do acesso à cultura, bem como incentivar os estudantes a frequentar os espaços culturais. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área artístico-cultural. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama desafiador e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.