Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 18/06/2020
Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a cultura e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse contexto, destaca-se a importância da cultura para a construção de uma sociedade culta. No entanto, há ainda diversos obstáculos que impedem a democratização do acesso à cultura no Brasil, os quais são resultados da eletização dos espaços culturais e causadores da insuficiência intelectual daqueles que são privados de desfrutar de tal bem social.
Sob esse viés, pode-se apontar a eletização dos centros e festas culturais como um dos causadores do problema. Nesse ínterim, a Constituição Federal assegura a todos os cidadãos o acesso igualitário aos meios de propagação do conhecimento, da cultura e do lazer. Porém, visto que os museus, cinemas e festas culturais, concentram-se predominantemente nós espaços reservados à elite econômica, como os shoppings centers, grandes centros urbanos e exigem uma contribuição financeira para acesso aos mesmos, é inquestionável a existência de uma segregação das camadas mais pobres em relação ao acesso a esse direito. Essa segregação é identificada na elaboração da tese da “subcidadania”, escrita pelo sociólogo José Souza, que denuncia a situação de vulnerabilidade social dos pobres, cujos direitos são negligenciados tanto pela falta de ação do estado, quanto pelas desigualdades sociais.
Por conseguinte, a eletização da cultura promove a exclusão das camadas mais carentes, sendo observado um bloqueio intelectual imposto a essa parte da população. A esse respeito, o sociólogo T.H Marshall defende a ideia de que o Estado é responsável pelo desenvolvimento intelectual dos indivíduos. Todavia, em constrate, assuntos pertinentes ao saber coletivo, que, por vezes, não são ensinados nas instituições formais de ensinos, mas são destacados pela cultura, não alcançam as mentes das minorias sociais.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenize tal quadro. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) deve promover um maior acesso ao conhecimento e a cultura, por meio da instalação de centros culturais e festivos nas áreas urbanas periféricas, que deverão possuir preços acessíveis a população local, a fim de evitar a insuficiência intelectual das pessoas e permitindo um maior senso crítico em sociedade, garantindo assim, uma maior valorização da cultura no país. Desse modo, o cidadão brasileiro poderá atingir a condição da plenitude cidadã proposta por Aristóteles e se distinguirá das outras espécies de animais.