Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 25/07/2020

A obra literária “O triste fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto, retrata a vida de um funcionário público que valoriza e usufrui intensamente a cultura brasileira. Fora da ficção, a democratização do acesso à tal direito, representa um grande desafio para o Estado, dado que esse encontra-se omisso a tal problemática, o que acarreta o chamado Apartheid cultural.

A priori, consoante a Constituição de 1988, o Estado deve garantir a todos o acesso as fontes da cultura nacional.Todavia, tal prerrogativa legal não tem se reverberado com ênfase na prática, pois segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), 37% da população preta e parda que vivem nas regiões mais remotas não tem acesso a museus, teatros ou cinema. Logo, evidencia-se que um dos principais propulsores para essa estatística deve-se a negligencia do Estado no que se refere a democratizar o acesso à cultura, já que esse cria poucas polícas públicas para inserir pessoas marginalizadas pela sociedade, como negras, pardas, indígenas e pessoas de baixa renda. Assim, esse percalço cria um terreno fértil para o alargamento da desigualdade que perdura fortemente no corpo social brasileiro.

Ademais, de acordo com a filósofa Hannah Arent, o espaço público é o lugar em que se dá o exercício da democracia. Contudo, tal fala não exercida na sociedade, visto que o Apartheid cultural encontra-se intensamente enraizado no cotidiano dos menos favorecidos, em razão dos altos custos dos cinemas, teatros e livros, exclui esses de gozar o seu direito previsto na carta magma, pois conforme o  Datafolha, quase um terço da populaçã depende de acesso gratuito para ir a eventos culturais.

Portanto, com o intuito de cercear os desafios para democratizar o acesso à cultura, urge que o Ministério do Turismo crie políticas públicas que disponibilize por meio de doações de alimentos não perecíveis a entrada de pessoas de baixa renda em cinemas e teatros. Adjunto a isso é imperioso a promulgação de excursão desses das áreas mais remotas para livrarias, museus, teatro, cinema das cidades vizinhas que possuem tais programações culturais. Dessa maneira, a realidade dos brasileiros será de maneira análoga a de Policarpo Quaresma.