Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 11/08/2020
Diante do pensamento do escritor francês, André Malrax, a cultura, sob todas as formas de arte, capacitou o homem a ser menos escravizado. Todavia, o acesso às manifestações culturais é um entrave nos dias hodiernos, seja pela elitização da cultura popular , seja pela negligência do Governo em proporcionar a democratização da cultura. Por tais razões, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa problemática e trazer melhorias para as gerações futuras.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que o Brasil é o país mais miscigenado do globo, contando com uma mistura de povos, segundo uma pesquisa realizada pelos estudantes da Unicamp em maio de 2018. Apesar disso, as manifestações culturais estão, a cada dia, se moldando sob um viés elitista para agradar a parcela mais privilegiada da população. Nesse cenário, as pessoas mais pobres não têm acesso a teatros, cinemas ou museus, uma vez que os preços se encontram cada vez mais altos para fretar a entrada. Parafraseando Theodor Adorno, a cultura passou a ser mercadoria e sua função primordial foi desfeita por privilegiarem o lucro em detrimento do conteúdo cultural. Nesse óbice, tal pensamento corrobora o incentivo à massificação de manifestações elitistas.
Faz-se mister ressaltar ainda, que o investimento do governo em políticas públicas que favoreçam o acesso à cultura é exíguo. Destarte, a verba que deveria ser destinada ao setor cultural acaba sendo investida em setores de menor relevância. Nesse contexto, os indivíduos não contam com o lazer e entretenimento cultural necessário, posto que os agentes governamentais negligenciam a circulação e veiculação das artes no âmbito social. Consoante a Confúcio, filósofo Chinês, a cultura está acima da diferença da condição social. Em contrapartida, o que se vê são as condições sociais se sobrepondo e garantindo que apenas os detentores de capital tenham acesso a essas manifestações artísticas. Logo, medidas devem ser engendradas com veemência.
Evidencia-se diante do olhar físico de Isaac newton, que um corpo só pode sair da inércia se uma força lhe for aplicada. Portanto, urge uma parceria entre o Poder Público e o Ministério da Cultura, realizando investimentos no setor cultural e garantindo que todos tenham os mesmos diretos de acesso às manifestações culturais, por meio da criação de museus e teatros que tenham seus espetáculos fretados pelo governo em pelo menos dois dias semanais, com o objetivo de promover a acessibilidade artística aos menos favorecidos e garantir o direito constitucional de acesso à cultura. Assim, o pensamento de Confúcio não será mais uma utopia.