Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 28/08/2020

“Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”. O livro “A Revolução dos Bichos”, do escritor George Orwell, escancara as desigualdades sociais vivenciadas na “Granja Solar”.Infelizmente, as disparidades socioeconômicas extrapolam as páginas do livro e fazem parte de questões viscerais da contemporaneidade. No que tange à cultura, a exclusão ao acesso de seus produtos e à sua criação representam desafios ao seu alcance igualitário.

Em primeiro lugar, há um perverso afastamento de certa parte da população ao uso de bens e serviços culturais, como: livros, teatro e cinema. Segundo a Lei da Universalização de Bibliotecas de 2010, todas as escolas precisam ter bibliotecas até 2020, porém conforme o Censo de 2018, quase metade dos colégios ainda não adotaram tal medida- principalmente aqueles da rede pública. Em outras palavras, estudantes têm as sua formações comprometidas por estarem afastados de bens culturais essenciais: os livros.

Ademais, além de ampliar a disposição de bibliotecas, cinemas e teatros, é preciso perceber o indivíduo como produtor de cultura. Conforme a filosofa Marilena Chauí, faltam políticas de ação cultural nas comunidades, movimentos sociais e populares. Neste sentido, limitar o acesso dos sujeitos ao papel de telespectador restringe suas capacidades de entender, produzir e transformar à realidade através da cultura.

De fato, as desigualdades socioeconômicas são obstáculos à democratização da cultura, pois afastam à população não só do protagonismo, como também do uso de produtos culturais. Por isso, o Ministério da Cidadania poderia criar a “Estratégia Brasil Cultura”. Nela, os artistas locais que levassem os seus trabalhos para espaços públicos como ruas e escolas teriam isenção de impostos. Além disso, a Estratégia contaria com oficinas oferecidas pelos artistas para estudantes que se interessassem em aprofundar seu conhecimentos em literatura, artes plásticas ou música, por exemplo. Assim, o Brasil estará mais próximo da dem