Os desafios para democratizar o acesso à cultura
Enviada em 17/10/2020
No filme coreano “Parasita”, é ilustrado o triste cotidiano de uma família em condição de miserabilidade enfrenta para alcançar a ascensão social. Nesse sentido, durante a longa cinematográfica, mostra como o acesso a centros democráticos é uma perspectiva distante de sua realidade. De maneira análoga ao filme, é fato que a realidade apresentada pode ser relacionada com a contemporaneidade do mundo, uma vez que o acesso à cultura não abrange grande parte da população. Assim, é lícito afirmar que a formação das cidades e a herança ideológica contribuem para a perpetuação desse cenário.
É relevante abordar, primeiramente, que as cidades foram construídas sobre um viés elitista e segregacionista durante a Revolução Industrial, ocasionando na concentração dos centros culturais apenas em áreas de alta patente, restringindo a população residente em áreas periféricas, características que marcam a persistência da segregação social nos dias atuais
Além disso, é imperativo pontuar que a herança ideológica da concepção cultural restringe financeiramente a população de baixa renda. Embora a constituição de 1988 assegure o acesso à cultura como direito de todos, o alto preço dos ingressos é um fator limitante da democratização, reafirmando a herança ideológica de que apenas os mais privilegiados podem usufruir desse patrimônio.
Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Nessa lógica, é imperativo que os Agentes da Cultura, por meio das verbas governamentais, construam novas rotas urbanas para facilitar o acesso físico aos centros culturais. Além disso, promover ingressos culturais gratuitos com o intuito de descentralizar a elitização dos meios de lazeres, sobretudo em regiões carentes. Feito isso, a sociedade não vivenciará os problemas da família vista em “Parasita”