Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 26/07/2021

Para Schopenhauer, filósofo alemão, a arte é uma forma de superação das dores e desventura humana. Entretanto, existem obstáculos para a democratização e consumação dessas fabricações, o que complexifica a efetivação de alguns direitos, como o lazer. Nesse sentido, a elitização da cultura é resultado de um exercício histórico que gera consequências ao longo do tempo. Sendo assim urge o debate e a resolução desse óbice.

A priori, à frente da segregação desse bem, constata-se a comparência de entraves desde outros tempos. A exemplo disso, é possível destacar dois momentos que se contrapõe: o Parnasianismo, em 1822, que tinha por propósito transformar a arte privada para a alta sociedade, por meio da linguagem erudita, a ponto de dificultar a compreensão. Um pouco mais adiante, em 1988, a Constituição brasileira assegurando a todos os indivíduos amplos acessos a bens culturais do país. Sendo assim, a passagem dos anos registram épocas de exclusão, bem como iniciativas (ineficientes) de reverter o quadro.

Ademais, como consequência dessa realidade, são notáveis algumas marcas. Uma delas pode ser explicada pela teoria do incrível geógrafo Milton Santos, quando projeta a sociedade como “mutilada”, tendo em vista que garantias básicas- como na canção “Comida” dos Titãs a qual denuncia o descaso com a periferia em relação à oferta de atividades para recreação- não são efetivadas. Dessa maneira, a sociedade é posta em um papel de subalternização, ao passo que se torna alheia à erudição e, consequentemente, inferior aos grupos elitizados. Essa organização social gera a exclusão de grupos menos favorecidos. Logo, ao não ter as atribuições efetivadas, o corpo social vira um objeto, a fim de ser esquecido.

Portando, devido à gravidade do assunto supracitado, medidas são necessárias para romper com esse traço histórico de elitização da arte nacional. Para isso, cabe ao Poder Público, na figura do Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Economia, implementar um plano de pluralização, a partir de parcerias com ONG’s, para que sejam organizados eventos artísticos culturais mensais nas comunidades mais afastadas, utilizando espaços públicos como ginásios de escolas ou auditórios dos postos de saúde (expondo pinturas, fotografias, poemas, entre outros). Além disso, deve ser criada uma “bolsa cultura” que disponibilize livros e ingressos gratuitos nas bilheterias para comunidades de baixa renda. Essas ações teriam o objetivo de mitigar as fragilidades referentes à Carta Magna. A partir de soluções como essas, a população como um todo poderá vivenciar o prazer descrito por Schopenhauer e encontrar nas artes um refúgio da vida.