Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 20/09/2021

O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao acesso limitado e desigual às manifestações, aos espaços e aos conhecimentos culturais. De acordo com os dados divulgados em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 39,9% da população vive em cidades sem cinema. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a insuficiência de leis e a falta de conhecimento.

Primeiramente, é preciso salientar que a insuficiência legislativa é uma causa latente do problema. Nesse âmbito, a Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à garantia dos direitos culturais, uma vez que acervos nacionais são constantemente abandonados devido à negligência governamental e, consequentemente, restringindo o acesso da população brasileira às fontes de cultura nacional. Assim, com a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução dessa adversidade.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de conhecimento. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre a importância da cultura para a formação da memória nacional, sua visão será limitada. Segundo a assessora de Educação Étnico-Racial, Regina Conceição, a maioria dos educadores desconhecem a cultura afro-brasileira, realidade preocupante que leva à perda da identidade cultural no ambiente escolar.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância da democratização do acesso à cultura, bem como incentivem os docentes a abordar conteúdos e exemplos de práticas de diversas culturas na sala de aula. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área artístico-cultural. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.