Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 29/09/2021

Segundo relatos do historiador Cláudio Vicentino, o processo educacional no Brasil, em seu período colonial, estava restrito aos indivíduos detentores de capital financeiro. Isso ocorreu em razão do caráter exploratório da colonização e da desigualdade social que se instalava naquele momento. Analogamente, nota-se que, atualmente, tal herança histórica ainda gera consequências no campo do acesso à cultura. Nesse sentido, é importante observar como a desigualdade social afeta o seu alcance e a centralização dos principais meios de cultura no país.

Em primeiro plano, analisa-se como a desigualdade social afeta negativamente o acesso à cultura. De acordo com a revista Carta Capital, cerca de 80% da população brasileira não tem o hábito de frequentar exposição de arte. Assim, fica nítida a prespectiva excludente do caso em tela. Dessa maneira, pode-se atribuir essa alta taxa aos baixos índices de escolaridade da população. Nesse viés, Paulo Freire afirma, em alguns trechos de sua obra “Pedagogia do Oprimido”, que a educação bancária, a qual é bastante enraizada nas escolas do país, contribui para o parco desenvolvimento social e cultural do indivíduo. Assim, fica claro o papel negligente que o Estado tem desempenhado no que tange o acesso à cultura.

Em segunda análise, verifica-se a centralização dos principais meios de produção cultural. Tal característica perpetua a exclusão dos mais pobres em detrimento dos mais abastados, uma vez que pessoas residentes em regiões mais periféricas não dispõem de recursos suficientes para investir em tal nicho. Conforme Eustáquio de Sene, professor doutor em geografia pela Universidade de São Paulo, a atual conjuntura dos grandes centros é fruto da desordenada formação urbana, a qual carece de panejamento. Dessa feita, constata-se que a postura anômica do Estado favorece tal disparidade e afeta negativamente a sociedade, a qual sofre com a diminuta política de acesso à cultura.

Por tudo isso, os impactos acima aludidos são uma ameaça aos brasileiros que figuram como vítimas de seu legado. Nesse sentido, o Governo Federal, especificamente na pessoa do Mininstro da Cultura, deve implementar parceria com os estados e os municípios, por meio de incentivo fiscal que promova o aumento da produção cultural local. Espera-se, com isso, diminuir a desigualdade social, aumentar o acesso dos mais pobres à cultura e descentralizar os meios de produção cultural no país.