Os desafios para democratizar o acesso à cultura

Enviada em 22/09/2024

“ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. Na música, ‘Que país é esse?, da banda Legião Urbana, há a denúncia acerca de diversos problemas sociais. Na realidade brasileira, tal situação pode ser observada na medida em que a omissão governamental e a desigualdade social perpetuam-se como desafios para tornar a democratização do acesso à cultura.

Em primeira análise, é importante salientar o dever da máquina pública na garantia de direitos ao cidadão. De acordo com Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela não aplicação pratica dos mecanismos legais-como a Constituição de 1988- e pela cidadania apenas no campo teórico. Sob esse viés, percebe-se que postura estatal é de descaso no que se refere ao acesso ˋa cultura, já que o Estado não promove investimentos que ampliam a aproximação aos meios culturais, como cinemas, previstos na constituição. Isso gera impactos negativos, principalmente para a parcela da população que moram em regiões que não possuem estabelecimentos culturais como teatros.

Por conseguinte, é cabível pontuar que para o geógrafo brasileiro Milton “a globalização é perversa", já que ao invés de diminuir, ela intensifica. Assim, infelizmente é percebido ao notar que em lugares onde possui algum espaço cultural, tende a ser cobrado para que a produção seja vista pelo público, o que ocasiona na diminuição das chances das pessoas de baixa renda conseguir acessar, por consequência, apenas pessoas com poder de compra podem usufruir de tais espaço, evidenciando a desigualdade presente nessa problemática.

Portanto, são notórios os fatores que alimentam a árdua realidade brasileira no que tange o acesso à cultura. O Governo Federal-promotor do bem estar social- deve criar políticas de incentivo à cultura por meio da destinação de verbas financeiras com o intuito de custear a criação de lugares que ofereçam de maneira gratuita, diversas apresentações artísticas como teatros, danças, shows de músicas, etc. Onde não há a presença desses espaços na região. Espera-se com isso que a “cidadania “ abordada pelo Dimenstein seja superada.