Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 20/06/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão das dificuldades dos idosos em relação à educação no país. Nesse contexto, torna-se evidente como desafios da problemática o não cumprimento da Constituição, bem como o pouco debate sobre o assunto.

Nessa perspectiva, há a questão do desrespeito à legislação nacional, que influi decisivamente na consolidação do problema. Sob esse viés, a Constituição Federal de 1988 garante o pleno acesso à educação pública e de qualidade, independente da cor, da classe, do gênero ou idade. Todavia, o direito previsto na Carta Magna se mostra um privilégio daqueles que desde pequenos são inseridos no ambiente escolar, diferentemente de alguns idosos que por questões socioculturais ou econômicas não tiveram as mesmas oportunidades. Com efeito, os mais velhos não são alcançados pela previsão constitucional, o que evidencia a inabilidade do Estado em cumprir a lei.

Outrossim, a ausência de discussão sobre a temática ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nesse sentido, o filósofo Habermas defende que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, ocorre que a ausência de atitudes por parte do Estado e da mídia com a finalidade de que este tema seja discutido no país dificulta ainda mais sua solução, pois se um tópico tão relevante não é debatido, é porque ele não é lembrado. Como resultado, conforme levantamento do Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística, quase 20% dos idosos são analfabetos. Dessa forma, observa-se que o silêncio da sociedade em relação a um tema tão relevante contribui para que ele persista no país.

Destarte, o Ministério da Educação deve, por meio da destinação de maiores recursos, fortalecer os projetos já existentes para a educação dos mais velhos, como o EJA. Assim sendo, o dinheiro pode ser usado para a construção de mais unidades que atendam os idosos. Por fim, a medida tem a finalidade de oferecer ensino de qualidade aos anciãos do país. Ademais, a mídia carece, por intermédio de propagandas, fomentar a discussão pública ao redor do tema.