Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 21/06/2022
Em um regime governamental que diz-se democrático, a igualdade no acesso à educação é um dos pilares fundamentais para a coesão social. No entanto, ao ana-lisar o nível de escolaridade da população brasileira, nota-se uma defasagem no ensino referente a um grupo específico da sociedade: os idosos. Tal desigualdade é fundamentada pelo histórico elitista da educação, fato que limitou o aprendizado dessa geração, que sofre com as consequências dessa mazela social.
Salienta-se em primeiro plano, que o problema relacionado aos baixos níveis de escolarização tem raízes históricas, datadas anteriormente à Independência do Brasil. Como foi colônia de exploração, não era interesse da metrópole a criação de programas educacionais no Brasil, sendo valorizado o trabalho braçal em detri-mento do intelectual. Análogo à história, esse pensamento ainda se confirma atual-mente, posto que o trabalho precoce é o principal responsável pela evasão escolar, fato que justifica a menor escolaridade entre os idosos. Desse modo, evidencia-se o maior desafio para a alfabetização dos idosos, posto que é um problema social com raízes profundas.
Outrossim, as chagas provocadas pela baixa escolarização são perceptíveis em vários aspectos da vida do analfabeto. Em seu ensaio filosófico intitulado " O que é Esclarecimento", o pensador I. Kant discute acerca da minoridade intelectual, isto é, situação na qual o indivíduo, por não ter o domínio básico sobre o assunto, perde sua liberdade e torna-se alheio à ajuda de alguém. Nesse sentido, entende-se que o analfabetismo é um depressor das liberdades individuais, além de vul-nerabilizar e ostracizar o cidadão, uma vez que esse perde a autonomia sobre o seu próprio pensamento. Por isso, a baixa escolaridade inviabiliza os debates e as discussões, colocando em risco a democracia.
Infere-se, portanto, medidas para sanar a problemática atual. Para tanto, o Go-verno Federal, por meio do Ministério da Educação, deve ampliar programas como o Ensino para Jovens e Adultos, divulgando-o em mídias acessíveis para o público alvo, além de capacitar professores para o perfil de aluno em questão, a fim de promover qualidade de vida para os idosos, superando a minoridade intelectual e garantindo a plenitude da democracia.