Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 23/06/2022
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, cujo corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. Fora da ficção, observa-se um panorama distante, uma vez que tanto a negligência estatal quanto a falta de inclusão social fomentam a banalização da alfabetização dos idosos no Brasil. Em face do exposto, é impreterível analisar como esses fatores reverberam na conjuntura brasileira contemporânea.
Nesse contexto, é evidente que a ineficácia do Estado corrobora para a manutenção desse quadro infortúnio. À vista disso, cabe citar a análise realizada pelo escritor Gilberto Dimenstein na obra “Cidadãos de Papel”. Nesta obra, Gilberto disserta a respeito da inefetividade dos direitos constitucionais, sobretudo no que se refere à desigualdade de acesso aos benefícios normativos. Diante disso, é notório que a conjuntura dessa análise se configura no Brasil atual, visto que a atuação das esferas de poder dista das prerrogativas constitucionais basilares.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a marginalização social. Sob essa perspectiva, o filósofo Jurgen Habermas versa sobre a democracia e a inclusão social, defendendo que o processo de tomada de decisões políticas exige uma ampla discussão pública. Tendo em vista que uma das faces da falta de inclusão social é o silenciamento das minorias, tal discussão demanda um lugar de fala para as diversas camadas da sociedade. Diante das análises realizadas tanto por Dimenstein quanto por Habermas, urge a necessidade uma intervenção estatal.
Destarte, é preciso citar de que forma o Estado pode solucionar esse impasse. Para tanto, é incumbido ao Poder Executivo, órgão supremo administrador da nação, em parceria com o governo estadual, o dever de criar oficinas públicas, com o objetivo de coletar dados e trazer mais lucidez sobre o tema. Nesse sentido, por meio de entrevistas com psicólogos, é possível enaltecer as reais lacunas na atuação do Estado. Paralelamente, os dados coletados irão romper a barreira que silencia as minorias e mitigar o problema. A partir dessas ações, espera-se que a “Utopia” de More possa extrapolar o plano artístico e ser alcançada pela sociedade.