Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 25/06/2022
O livro “Memórias Postumas de Brás Cubas”, do autor Machado de Assis, retrata a frase “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da miséria humana”. Paralelamente, esse posicionamento exposto na obra literária enquadra-se na realidade do Brasil, já que o processo de alfabetização de idosos no país enfrenta grandes obstáculos. Nessa perspectiva, deve-se avaliar a carência de medidas públicas e, também, a banalização do impasse.
Nesse contexto, destaca-se a deficiência de ações governamentais para combater a problemática. Por esse ângulo, conforme o filósofo Rousseau, é dever do Estado manter o bem-estar social. Entretanto, fica evidente que o governo não cumpre sua função social de garantir os direitos fundamentais, isto é, a falta de incentivos midiáticos, por meio de publicidades, e aulas lúdicas e com uso de tecnologia voltadas para uma educação mais descontraida e simples. Dessa maneira, a persistência desses tópicos continuará a dificultar a educação no país.
Em segundo plano, atrelado a isso, a trivialização da alfabetização dos idosos intensifica ainda mais a questão social. Nesse viés, segundo a filósofa Hanna Arendt, com o seu conceito de “banalidade do mal”, afirma que o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. Seguindo esse raciocínio, muitas vezes, o tabu ou medo de procurar escolas ou centros educacionais pelos idosos, é considerado como algo comum e normal. Porém, esse tipo de barrreira psicológica é um grande mal para esses, pois o sentimento de não conseguir e o preconceito por ser mais idosos causam problemas na vida desse indivíduo.
É evidente, portanto, a atuação do Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, crie campanhas midiáticas nos meios de comunicações sociais, por exemplo, redes sociais e televisivas. Nesse sentido, com o objetivo de instruir a população sobre os malefícios que o preconceito sobre a falta de escolaridade dos idosos causam na vida destes e, também, com essa mesma campanha possa instagar estes a voltarem a estudar. Logo, a fim de desconstruir a banalização do impasse. Posto isso, será possível obter uma sociedade mais justa, coesa e com um legado diferente do livro de Machado de Assis.