Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 02/07/2022
A revolução industrial marcada pelas inovações tecnológicas trouxe consigo malefícios à grande parte da sociedade britânica na metade do século XVIII, ou seja, crianças e adolescentes eram submetidas ao trabalho árduo e isentas do direito à escolaridade. Em analogia, no Brasil, é notória as dificuldades de idosos maiores de 60 anos, na prática da leitura e escrita em consequência da exposição prematura ao mercado de trabalho na juventude. Com isso, é necessário buscar soluções que atenuem tal problemática, sendo estas de cunho didático e estratégico.
A priori, a pesquisa realizada pelo SESC São Paulo e Fundação Perseu Abramo evidencia que no intervalo de 2006 e 2020 houve um aumento de 7% para 15% no acesso ao ensino médio para o público de terceira idade. Todavia, esse percentual ainda é pouco em comparação com a população de idosos no Brasil, visto que grande parte dessas pessoas têm dificuldades na comunicação via leitura e escrita. Acerca disso, o sistema de ensino vigente em escolas de ensino médio dificulta no processo de letramento dos alunos idosos.
Dessarte, segundo Paulo Freire, professor de referência na alfabetização de trabalhadores rurais, diz em seus estudos que a melhor técnica de ensino para não-letrados é o uso de palavras presentes no seu cotidiano. Em síntese, para um idoso que passou parte de sua vida trabalhando em canaviais, conforme o docente, é recomendado o letramento com nomes relacionados à agricultura e as ferramentas de trabalho usadas pelo aluno em questão. Sendo assim, é importante a busca por formas didáticas e simples de ensino para o público maior de 60 anos.
Portanto, é necessário que medidas mitigadoras sejam acionadas pelo Governo em parcerias com aplicativos de aprendizagem linguística, como o Busuu e Duolingo na inserção de cursos especiais para o público mais velho. Isso, através de aulas mais dinâmicas e didáticas e uso da inteligência artificial para a obtenção de dados do cotidiano do aluno. Tal alternativa tem por finalidade ampliar o acesso à educação das pessoas não-letradas maiores de 60 anos e usar seus cotidianos a favor de suas alfabetizações.