Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 26/06/2022

Em sua obra ‘‘Os Retirantes", o artista Cândido Portinari faz uma denúncia à condição de desigualdade compartilhada por milhões de brasileiros, os quais, vulneráveis enquanto cidadãos, perdem seus direitos. A crítica de Portinari continua válida nos dias atuais, como se pode notar a partir do alto índice de idosos brasileiros que são considerados analfabetos totais ou funcionais. Com base nesse viés, é fundamental discutir como o descaso governamental e a falta de estímulo da própria sociedade são fatores agravantes da problemática.

Primeiramente, ressalta-se a indiligência do governo com o problema. Conforme a “Teoria da Percepção Coletiva”, de Émile Durkheim, o fato social é dividido em normal e patológico. Nesse sentido, o Estado está no âmbito patológico, em crise, uma vez que a gestão brasileira tem tendência de não investir em medidas que ajudariam a minimizar a situação supracitada, tal como projetos que levem educação de base para os idosos no interior do país. Consequentemente, sem o respaldo governamental é evidente que se tornará mais difícil o acesso a esse direito.

Ademais, destaca-se a ausência de engajamento social como fator corroborativo aos desafios da alfabetização dos idosos. Fica claro, pois, a indiferença da sociedade diante da analfabetização dos idosos, o que compromete seus direitos enquanto cidadãos. Sob essa perspectiva se referencia os pensamentos de Yural Harari, o qual firma que, diante de problemas, os indivíduos assumem posturas apáticas.

Portanto, nota-se que são muitos os desafios para com a alfabetização dos idosos brasileiros. Assim, cabe ao Ministério da Educação a fundação de programas que providenciem escolaridade básica a esses idosos, contando juntamente com o estímulo do corpo social, que deve parar de ignorar a problemática, a fim de diminuir o analfabestimo no público alvo. Só assim as implicações da obra de Portinari deixarão de fazer sentido nos tempos presentes.