Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil

Enviada em 29/06/2022

Segundo a filósofa francesa Simone de Beauvoir, o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a ele. Similarmente às demais dificuldades vividas pelos idosos, devido à escassez da alfabetização dos indivíduos, pois por mais escandalosa que seja a ocorrência dessa problemática, a sociedade contemporânea brasileira se habituou a essa realidade. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a falta de debate, bem como a falta de investimento na educação.

Em primeira análise, a falta de debate mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. O filósofo Foucault, defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no debate em torno da importância da alfabetização para os idosos. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre o problema, muitos idosos viverão com poucas oportunidades na sociedade, presenciando diversas consequências negativas como a exclusão digital, dificuldade na inserção social e a falta do desenvolvimento cognitivo.

Em segunda análise, outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de investimento na educação. De acordo com o filósofo alemão Immanuel Kant, “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Como demonstra essa perspectiva, a educação é essencial para o desenvolvimento do ser humano. Logo, como não há um forte investimento na educação dos brasileiros, a desvalorização do conhecimento limita o potencial dos idosos e causa numerosos distúrbios na saúde, principalmente neurológicos, como a amnésia.

Convém, portanto, que, de modo urgente, medidas sejam tomadas. Faz-se necessário, pois, que a mídia brasileira, em parceria com o governo brasileiro, promova entrevistas televisionadas com especialistas no assunto, a fim de incentivar os estudos na vida dos idosos, demonstrando o impacto positivo da alfabetização na vida do idoso, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o problema. Em suma, é preciso que se aja sobre o problema, pois, como defende Simone de Beauvoir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos”.