Os desafios relacionados à alfabetização dos idosos no Brasil
Enviada em 29/06/2022
Em seu livro “Infância”, Graciliano Ramos retrata como a leitura foi um passo imprescindível no seu desenvolvimento e descobrimento pessoal. Contudo, a realidade se mostra distinta, uma vez que uma grande parcela dos mais velhos do país não são letrados ou possuem dificuldade nesse âmbito. Dessa maneira, cabe analisar a negligência educacional enfrentada pelos idosos, bem como a presença do Estado e do próprio sistema educacional nessa problemática.
Primordialmente, existe uma grande negligência estatal. De acordo com a Constituição de 1988, todo cidadão tem direito à educação. No entanto, dados de uma pesquisa realizada pelo Sesc São Paulo relatam que quase 50% dos entrevistados maiores de 60 anos possuem dificuldade de leitura, com pouco mais de 10% nunca tendo frequentado a escola. Assim, percebe-se que o direito à escolaridade não atinge todas as parcelas da sociedade, criando obstáculos que impedem os idosos de usufruírem de seus direitos básicos de uma vida em comunidade.
Ademais, a pouca preparação docente corrobora para o aumento do índice de analfabetismo. Nesse contexto, Paulo Freire afirma que a educação constrói pessoas, que por consequência constroem o próprio mundo. Sabendo disso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmam que quase 20% dos idosos são analfabetos. Posto isso, entende-se que o corpo docente muitas vezes não está preparado para o desafio de educar idosos, visto que exigem um esforço diferente do usual. Assim, perpetua-se um ciclo de negligência para com os mais velhos e suas necessidades de leitura e aprendizado.
Em síntese, medidas são necessárias para mitigar o analfabetismo entre idosos. Para tal, é preciso que o Ministério da Educação, órgão focado no índice de aprendizado populacional, crie políticas de integração dos mais velhos, por meio de acesso a instituições de ensino e materiais didáticos, na intenção de promover a alfabetização e a frequência escolar. Além disso, é necessário que o governo federal invista no corpo docente, promovendo o ensino em universidades focado na formação de idosos, visando preparar professores para esse tipo de trabalho. Dessa forma, Graciliano Ramos terá sua história de leitura estendida a todo o país.